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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009



Meu Carnaval
J. Norinaldo

Fiz um carnaval bem diferente este ano,
Também desfilei numa avenida.
Oferecendo o que de melhor ainda me resta,
Minha vontade de lutar pela terra e pela vida.
Defendendo os rios, o mar e a floresta,
E seus habitantes, que enfeitam esta festa.

As baleias que infestavam nossos mares,
A beleza do mico leão dourado nas matas,
A ararinha azul que nordeste desapareceu,
Até o pantanal o jardim do éden aqui na terra,
Não é o mesmo que este poeta conheceu.
E o canto do uirapuru, é abafado pelo grito da serra.

Um futuro embaçado, imprevisível a espreita,
Que nossos filhos a quem temos tanto amor.
Por causa de tanta omissão e irresponsabilidade,
Tenham a infelicidade de conhecer o que restou,
Através de museus ou da história mal contada,
Ou mesmo na tela de algum computador.

Quem sabe nos carnavais do futuro que virá,
As escolas mostrem como eram os rios e o mar,
Os animais que existiam e viviam na floresta,
O samba enredo fazendo a platéia chorar.
Enquanto os aviões despejam bombas,
Em guerra pela água que na terra ainda resta.

Minha escola não foi muito aplaudida,
Meu samba enredo taxado de irreverente,
A minha bateria só o surdo solitário a frente,
A fantasia verde descontentou muita gente.
Criticaram a escola do poeta e da poesia,
Dizendo que trazia a morte na comissão de frente.

1 comentário:

S. L. Lima disse...

Seu carnaval é o meu também.
parabéns "meu" poeta.
seus textos são lindíssimos.