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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011


A Prece e o Pão.
J. Norinaldo.

A mesma voz que já me negou um pão,
Que disse um não quando eu mais precisei,
A mesma mão que não me atirou um trapo,
Quando um farrapo, em sua porta me arrastei,
De mãos postas elevadas para o alto...
Daquela voz uma linda prece eu escutei.

Decerto o céu precisa mais do que eu,
Daquela prece que também falava em pão,
Multiplicado certa vez pra dar aos pobres,
Será que os nobres têm amor no coração?
Para um faminto vale mais uma migalha,
Que para Deus uma falsa oração.

Não nos deixais faltar o pão de cada dia,
Paz na terra aos homens de boa vontade,
Será que tudo não passa de poesia,
Ou a oração que Ele ensinou era a verdade?
E eu cometo aqui uma heresia,
E que rezar, também é fazer caridade.?

Para quem o pão sobra em sua mesa,
Nenhuma prece antes da cada refeição,
Outros que chafurdam na pobreza,
Rezam somente na hora de pedir o pão
Já não sei se perdôo aquela voz...
Ou se sou eu quem devo pedir perdão.

2 comentários:

Lourival Rodrigues dos Santos disse...

Ambas são verdadeiras...
"A Prece e o Pão".
A Prece - acalenta o sofrimento da alma;
O Pão - alimenta a matéria que dá voz à oração.
... A sua poesia faz o registro de tudo isso. Parabéns, amigo Norinaldo.

valda disse...

parabéns querido poeta.
realmente as suas poesias acalenta a alma.