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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012




A Saudade.
J. Norinaldo.

A saudade, água viva em maré morta,
Bate a porta com batidas conhecidas,
E adentra a alma como uma brisa morna,
Trás as mágoas das estradas percorridas,
Como uma filha renegada que retorna;
E a taça de fel que foi mel e ora entorna.

Tentar trancar a alma é impossível,
Evitar a terrível dor de uma saudade,
Que nem o mel ora fel não suaviza;
Não há muralha que ataque essa maldade,
Que vem e volta com a leveza de uma brisa,
Deixando marcas como rastros numa pedra.

A saudade corrói como a ferrugem na corrente,
Que prende um ente a quem a vida não quer mais,
Como o vento que assola a pradaria indefesa;
Como a beleza de uma víbora cujo veneno é fatal,
Como a cobra coral com seus ares de princesa...
E a certeza de um veneno tão letal.

A dor da saudade é diferente de outras dores,
Como as flores que proliferam no monturo,
Que se alimentam de podridão e do rejeito;
E que transformam em perfumes no futuro,
A saudade que transforma o mel em fel,
Na carícia de um punhal que fere o peito.



2 comentários:

Tecendo Pensamentos disse...

Bela e muito criativa sua poesia mestre, parabéns sempre. estamos lá veja se gsota

Jordão Freitas disse...

"
A dor da saudade é diferente de outras dores"
E como é diferente!...
A saudade é dor e poema, doce amargura dum passado presente.
Nessa palava cabe toda a poesia
Cabe o mar, o sol e a terra.
Saudade é poema de ser português.