
Época da Colheita.
J. Norinaldo.
Vivo a me esconder dos meus medos,
Por detrás das grades da liberdade,
Tentando disfarçar os meus degredos,
Digitando de algum modo a inverdade;
Para alguém que quiçá adore enredos,
Apenas para agradar sua louca vaidade.
A minha idade nada tem há ver com isso,
Mas tem muito com a artrite que me entreva,
Sé é a época da colheita, assim será colherei,
Pois de tantos jardins que pela vida plantei,
Hoje olho e vejo para colher apenas erva,
Se sou feliz, não me pergunte, pois não sei.
Quando acordo e vejo o sol banhando a terra,
Ou quando a noite a lua surge prateada,
Novamente os meus dedos tagarelam,
E denunciam os meus medos numa tela;
Que vai surgindo aos meus olhos, fomatada,
E os meus segredos se revelam para nada.
Diz um ditado popular será verdade?
Quem planta vento um dia colhe tempestade?
Aonde estão as poesias que em corações plantei?
Para um dia colher para mim essa felicidade?
Ou na verdade foi tudo errado o que fiz?
Se sou feliz, não me pergunte, pois não sei.