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quinta-feira, 14 de junho de 2018




Poema Triste.
J. Nori.


Escrever poesias para cegos e declama-las para surdos é o que fazemos nós que pensamos poetas ser. Por que escrever se ninguém se importa, poesia que já nasce morta? Não, ledo engano, tem alguém que muito meu trabalho admira e aprecia e diz sim, é poesia, portanto não escrevo a esmo, se ninguém quer, quero muito e muito eu mesmo. Na intenção de fazer alguém feliz, ou se já fiz, creiam não é e nunca foi pretensão melhor do que alguém, mesmo escrevendo para ninguém pode crer tento fazer apenas o bem. Mas é realmente triste, dar tudo de si numa ideia, e quando vai apresenta-la...Para onde foi a platéia? Mas, eu resisto, insisto e enquanto me aturar ante o espelho, meu poema jamais será o relho que me açoitará, continuo escrevendo e para mim mesmo declamar.

terça-feira, 12 de junho de 2018





Feliz Dia dos Namorados de todos os Tempos.
J. Nori

Hoje eu já tenho tempo para admirar a vida, para vê-la como antes eu não a via, quando passa devagar e as vezes com muita pressa tendo o tempo como sua  montaria. O tempo não para nunca, a vida não é assim, e quando chegar seu tempo chega também o seu fim. O tempo passa voando e as vezes é muito lento, é diferente do vento, que sopra as velas da vida e agita as ondas do mares donde o sustento a vida tira, o vento que a vida respira também depende do tempo, o tempo é senhor de tudo, desde que tudo seja regulado pelo vento. Hoje eu tenho mais tempo, ou o aproveito para ver, que não tenho tempo a perder, se quiser viver a vida; que cada rosa plantada é uma nova vida a nascer, que vai perfumar a vida que acaba de morrer. Hoje eu tenho mais tempo para pensar no passado, que um dia já foi hoje, mas somente hoje é lembrado; para saber que o futuro quando chegar é presente e logo a seguir passado. Hoje eu tenho mais tempo? Ou seria o contrário? Hoje é aniversário de quem namora ou namorou, é o seu primeiro namoro ou isto aconteceu ha muito tempo que passou? Só há um jeito de se aproveitar o tempo, é jamais desconhecer ou desobedecer a  sua majestade e saber que a felicidade não passa de um momento, que que um momento é uma fração do Tempo.

terça-feira, 5 de junho de 2018





Meu Tempo é Agora?
J. Nori.


Sou do tempo das ruas estreitas, das roupas bem feitas cosidas a mão, onde a torre mais alta era da Catedral, do homem sisudo ao ler o jornal enquanto alguém lhe engraxava os sapatos para ganhar moedas para comprar o pão. Sou do tempo das damas floridas, de vestes coloridas arrastando no chão, sou do tempo em que não se saia de casa sem dos pais pedir a Bênção. Sera que meu tempo é agora? Como afirmou certa vez o Poeta Mário Lago seria verdade? Logo ele que compôs e cantou Amélia aquela  que era Mulher de verdade? Nós Poetas as vezes nos contradizemos, principalmente quem poeta com rima, muitas vezes as palavras não cabem como algumas flores não se ajustam ao clima; mesmo assim vão surgindo os versos e no fim temos uma obra prima. Sou do tempo em que na sala não havia sofá, e isto é claro foi um grande avanço, lá estava a cadeira de balanço do patrono que mandava no lar. Sou do tempo que a casa era um Lar, por mais pobre que fosse a mobília, era o reino sagrado da família que ninguém ousava violar; sou do tempo de brincar no terreiro, enquanto os mais velhos proseavam no oitão; sou do tempo das ruas estreitas, das roupas mal feitas costuradas a mão. Sou do tempo que andar remendado, porém limpo não era coisa feia, ainda lembro da minha avozinha, a beira do fogo remendando meia. Hoje são largas as ruas, as moças se rasgam andam quase nuas, já não existe mais engraxate e na sala as poltronas e a Televisão, diferente daquele meu tempo... Hoje a virtude é que se arrasta pelo chão e não os vestidos cosidos a mão.

quarta-feira, 30 de maio de 2018




Vinho e a Vinha.
J. Nori.


Uma Vinha e a outra ia, não eram estradas ou caminho, uma era para fazer vinho, a outra ia a orgia, como muito vinho rolando, como duas mão orando, como se algo pegando, mas nada havendo entre elas, como os punho de uma  rede não esmurrando a parede, mas se segurando nela, uma parede sem janela. Uma janela com grades, onde o sol mesmo se prende, mas sai a hora que quer, pois não há prisão que tema, ainda não foi feita uma algema que prenda uma ideia, um ideal ou a fé. Podem até prender a vida, mas jamais um pensamento, quem poderia alcança-lo, nem a luz ou mesmo o vento; que façam o maior alarde, que encham o mundo de grade que a liberdade sobrevive; prefiro ser morto livre do que livre acorrentado. Não reze porque lhe mandam, não atire pedras porque devem ser atiradas; pois quem constroem os escudos também fabrica as espadas, quem já lhe prometeu os muitos, podem lhe trazer os nadas. Não nade contra a corrente, nem se acorrente por si, siga sempre este lema, quem lhe aperta as algemas, não é o senhor de si; pode ser somente um lacaio um sabujo, um reles molambo sujo que nasceu para servir. Vive neste mundo a esmo, só não servido a si mesmo por só saber bajular; termina morrendo a míngua, lustrando botas com a língua a qual não sabe falar.

segunda-feira, 30 de abril de 2018





O Bem do Esquecimento.
J. Nori.


Estive hoje bem cedo em tua casa, cedo demais ainda estavas em tua cama, o sol ainda não aparecera e havia muito orvalho na grama, antes de seguir o meu caminho, triste por não ter te visto, algo muito belo em teu jardim; um botão de rosas que apareceu se abrir para mim, espargindo seu perfume gratuito, para mim, para o mundo e o infinito e não foi somente eu quem isto viu. Logo um colibri corteja tua rosa, como um poeta declamando alguma prosa, num bailada mais belo que já vi. A efemeridade da beleza dessa rosa, como quem goza a vida num instante; na outra manhã já está murcha e sem perfume e sem nenhum colibri e e galante. Hoje me lembrei por um momento, que tudo isto aconteceu faz muito tempo e não foi ontem, 50 anos ou até mais, já não me lembro, e também não tenho quem os ontem. Mas voltei a tua casa, mas ela já não estava mais lá, lembrei com saudade do jardim, no lugar existe um prédio meio assim, nem muito alto nem muito baixo eu sei lá, depois daquele dia eu nunca mais te vi; porém nunca perdi as esperanças, as vezes me vem umas lembranças, esparsas e confusas, opacas e não completamente difusas que não entendo muito bem, mas se vão assim como elas vem. onde será que andarás, ainda plantas rosas, tens um jardim? Será que vives assim como eu, vez por outra me vens cabeça, serás que também pensas em mim? quem sou eu, quem és tu, quem somos nós, vivemos tanto, muito mais que aquela rosa, será que fomos felizes nesta vida, e já que estamos tão perto da partida; por que alguém escreveu sobre nós esta prosa? Não temos nomes documentos, beleza nem idade e nem certeza se conhecemos de perto a felicidade.

quinta-feira, 19 de abril de 2018





Serei eu um Poeta?
J. Nori



Eu sou o poeta que já escreveu na poeira, na areia, nas paredes e nos jornais, eu sou o poeta que amo a sua poesia, sem hipocrisia, eu a amo assim no mais. Eu sou o Poeta que conhece o Talvegue, quiçá  porque navegue sobre ele o tempo inteiro; eu sou o poeta que faz do coração tinteiro e da alma a pena que escreve poesia. Eu sou o poeta que amo a minha poesia assim como amo a sua, tenho a minha alma nua transparente e delicada, uma poesia escrita e dedicada a um poeta que por certo merecia. Eu sou o poeta ou talvez pense que sou, que canta o amor a minha aldeia e o infinito, eu sou o poeta, que não sei se por acaso, terei meu nome um dia escrito no Parnaso. Sou o poeta das paixões desenfreadas, como as mandas de corcéis a beira mar, sou o poeta que desconhece o medo, como o rochedo que apara a fúria que vem do mar. Eu sou poeta, mas não digo isto a esmo, porque poeto para você e pra mim mesmo. Dizer que sou poeta quiçá não devo, mas como se adoro o que escrevo? Se a minha poesia não lhe agrada, lembre-se que não foi para você que a fiz, deixe-a não a  apague nem a rasgue, por que com certeza ela fará alguém feliz.

sábado, 14 de abril de 2018





Um Livro, um Filho e uma Árvore.
J. Nori.



Eu já avistei 30 Faróis e vi o Por de sol de mil lugares diferentes, da Savana ao Pantanal, vi de perto muitas feras e serpentes; os Livros que escrevi são os meus filhos, onde cultivo das árvores as sementes. Eu já falei com muita gente, inclusive por gestos e sinais, já pedi perdão pelo que escrevo, mas nunca pelo que copio quando não devo; já fui chamado de idiota e de pateta, por quem nunca viu sequer um farol, que já viu só por ver o por do sol  e se julga um  menestrel ou um  poeta. Desconfio de quem diz conheço o mundo, mas nunca fala em navegar, se existe muito mais água do que terra, de que mundo ele está a falar? E assim como não são iguais todos altares, não é verdade que quem viu um viu todos mares. Quem ver por ver o por do sol, não se encanta com as cores do arrebol, é assim como quem navega, mas não desvia do Farol. Quando as ondas sacudiam meu navio em alto mar onde não há monte  ou desvio, eu encarei o desafio e fui até o último Farol, hoje para mim o Por do Sol que vejo da minha janela como escotilha, sinto a falta da onda que não a embala, mas me emociono que o Farol que muito brilha.