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sábado, 8 de janeiro de 2011


O Poeta e o Mundo.
J. Norinaldo.


Poetar é ver o mundo como o mundo não é,
Ver a beleza da flor virando fruto no pé,
Fazer da pedra uma musa sem utilizar cinzel,
Criar um conto de fadas num ranchinho de sapé,
Ouvir as canções do vento contando estrelas no céu,
Plantando as mais lindas flores do jeito que o amor quer.

A poesia acalanta como canção de ninar,
O coração de um poeta, um tinteiro tão antigo,
Com as cores extraídas das borboletas do bosque
No desabafo da vida poetas ébrios e loucos,
Sabemos não foram poucos que morreram sem abrigo...
Ou que foram tão sinceros, como o velho Charles Bukowski.

Quem lembra Mário Quintana no final da caminhada,
Poesia inacabada, faltou tinta no tinteiro,
Florbela Espanca afogada em mágoas deixou ao mundo;
O poema mais profundo sem a estrofe do dilema derradeiro...
Mas só o Poeta lá de cima, é o autor do poema verdadeiro.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Folhas Mortas do Outono.
J. Norinaldo.

A nuvem cobre o deserto o rio corre silente,
A esmola é desprezada se colhe o fruto que cai,
A poesia enaltece a primavera florida,
As folhas mortas do outono bailam com a morna brisa;
A abundancia de peixes na renovação da vida,
Ninguém se ampara do sol a sombra de um bonsai.

A vida segue seu rumo sem saber por onde vai,
Em cada família um pai cada vez mais sem prestígio,
O respeito esmagado pelos pés grandes da moda;
O homem respira lucros só pensa no consumismo,
Do antigo romantismo hoje não resta vestígio,
O sol sai de trás da nuvem... E a terra roda que roda.

Cada bomba que se faz para destruir a terra,
Cada guerra fomentada atiça a gula da morte,
E o homem segue o caminho que lhe indicou o engano,
Alguns por algum atalho conseguem chegar a um trono;
Outros são apenas numero assim como boi de corte,
E o vento segue bailando com as folhas mortas do outono.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Verdade e Ilusão.
J. Norinaldo.

Quem sabe a verdade esteja
Sob o manto da ilusão,
Quem garante que a loucura
Não seja a própria razão;
Por que o trigo madura...
Para se obter o pão?

Quem fala em nome de Deus,
Sem mostrar procuração,
Aos aposentos do rei,
A lei não tem jurisdição;
E o cajado do sábio...
É uma interrogação.

E quem me responderia,
A tanta indagação?
Quantos poetas morreram,
Por ver além da visão?
Quiçá a filosofia, quiçá...
Desvende essa fantasia,
Que a vida, não passa de ilusão.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011


Entre a alma e a Matéria
J. Norinaldo.


O pior rico é aquele que foi pobre,
Ser nobre implica em bem nascer,
O temor do retorno a miséria,
Modifica por completo a matéria...
E até a alma consegue corromper.

Conheci muitos pobres, hoje ricos,
Que agora fingem nem me conhecer,
Outros ricos ora vivendo na miséria,
E que meus amigos querem ser,
É a luta entre a alma e a matéria.

Eu amo o vento sem saber se é feio ou belo,
Amo a Deus por que foi quem fez o vento,
E pela alma que me deu e tanto zelo;
Sinto pena do nobre que assim não pensa...
E se atira da torre do seu castelo.


Não sou rico, tampouco sou miserável,
Descartável para alguns eu posso ser,
Na riqueza ou na pobreza busco o tema;
Sem nobreza é que criei este poema...
Simplesmente para lhe oferecer.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


A Masmorra da Vida.
J. Norinaldo.

Em suma todos nós somos culpados,
Inocentes declarados Pela lei,
Paradoxos que a vida não explica,
Nem justifica onde foi que eu errei,
Cada um sem a sentença que merece,
Por que toda prece é dirigida a um rei.

Quando o velho caduco e encurvado,
É recolhido para o mofo da masmorra,
Como o ácaro é banido dos salões;
O velho é trancado na cela até morra,
Como as folhas secas caídas no outono...
Tendo o sono povoado por dragões.

Em suma somos todos inocentes,
Postulantes a culpados pela vida,
Os caminhos nos levam aos tribunais,
Alguns com tapetes macios coloridos;
Por juízes culpados somos todos argüidos...
Nas masmorras dos castelos arbitrais.

Quem acredita que o céu está mais perto,
Como o rastro do camelo no deserto,
Que o vento num segundo tudo apaga;
O martelo da lei não bate em prego,
E o planeta já está ficando cego...
Em vez de prece, está se rogando praga.

domingo, 2 de janeiro de 2011



O Valor na História.
J. Norinaldo.


Busca-se pecado onde não há,
Uma Tentativa de se justificar,
Os erros que hoje cometemos,
Descobrem-se segredos enterrados,
Trocados por ouro nos mercados;
Mas, a verdade não é o que queremos.

O segredo é a pilastra do meu templo,
Minha seita é detentora do segredo,
O meu deus é poderoso e vingativo;
Qual seria o motivo desse medo?
Quem teria escrito tal enredo?
Que mantém o ser humano cativo.

Para o inferno as respostas que escuto,
Se não discuto a cruz na palmatória,
Ou os motivos que me trazem a insônia,
Deixo aqui uma pergunta aleatória:
O que tem mais valor para a história?
O templo de Salomão ou o jardim da Babilônia?

sábado, 1 de janeiro de 2011


A Verdade.
J. Norinaldo.

Desconheço o traçado do planeta,
Os tratados aos quais me subordino,
Os livros pelos quais me oriento,
Não leio tudo nos contratos que assino;
Ao que me ensinam nem sempre estou atento.

Não creio em tudo que me dizem,
No que vejo dúvidas por vezes tenho,
Não tento provar que sou eu mesmo,
Não discuto com o rei por ser covarde,
Mas desejo saber de onde venho.

Para onde vou já me mostraram,
O que acontece depois só teoria,
A verdade é que não sei se é mentira,
Nunca tive informação de quem partira,
Por enquanto tudo é somente poesia.

Se afago a mentira por sobrosso,
Palavra antiquada e em desuso,
Se busco a verdade enquanto moço,
A verdade que se compra é o que ouço;
Que me deixa na verdade mais confuso.