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segunda-feira, 20 de agosto de 2012




Ao Mestre com Tristeza.
J. Norinaldo.


A tristeza não me assusta a solidão não me intimida, eu aprendi com Bukowski  a caçoar desta vida, se um cão me lambe a mão eu lambo a boca da morte, nunca precisei de sorte para me fazer sorrir; vejo nas cicatrizes do rosto a escrita torta da alma falha, que fugiu de algum asilo fantasiada de mortalha. A minha vida é uma migalha que sobrou de algum banquete, meu mais rico palacete uma privada de hospital. Bukowski  nunca foi mal, foi  realista por gosto, usou seringas por taça ao ter a própria desgraça desenhada no seu rosto.
A tristeza não me assusta, Bukowski foi o meu mestre, como a figura rupestre que o tempo não apagou sobreviveu, já não me causa desgosto, o que tenho escrito no rosto e nem odeio quem escreveu.
A solidão não me intimida, a morte não me assusta, já que nivela por baixo quem nesta terra viveu, não só o mestre Bukowski, vive você vivo eu.



Passei a chuva em casa.
J. Norinaldo.


Hoje fiquei em casa, choveu o dia inteiro, amanhã se não chover,  também não tenho onde ir, este mês eu fico em casa, ninguém me deixa sair, não posso sair sozinho tenho medo de cair; não tem quem saia comigo, já não tenho o que pagar, queria ir pra bem longe, e  nunca mais ter que voltar. A chuva passou se foi, nem precisa caminhar, quando cai rola na terra pra depois se levantar, a chuva não fica velha, não se entreva ou sente dor, e é triste sempre que bate no telhado de algum velho sonhador, que venceu a tempestade no mar domou a procela, nas crinas da nau da vida escrevendo a própria sina, agora não sai de casa por causa de uma neblina.
Hoje eu não saio de casa, choveu quase o dia inteiro, me lembrei de uma canção que cantei quando menino, que me deixou tão feliz, e me trouxe tanta paz; Não canto agora pra ti, por que já não lembro mais. E esses pingos na vidraça daqui ainda posso ver, como se alguém escrevesse algo que eu não consigo ler.
Estou falando sozinho já não consigo escrever, as paredes tem ouvidos quem sabe possam entender, que por mais velhas que fiquem; só tremerão pra cair, não por um mal que as farão tudo esquecer.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012




MUSA.
J. Norinaldo.


Ela anda se atirando, como se rompesse nuvens, joga os cabelos pros lados como tarrafas de ouro, o balanço do seu corpo como uma nau na procela, o meneio das cadeiras como um pincel na aquarela, como se um cinzel divino fosse feito só pra ela. A perfeição do seu corpo no pedestal da beleza dar aos mortais a certeza da existência divina, que não sovina aos olhos uma aparição tão bela, e quem como eu a vê assim, não pode ser igual a ela.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012




A Realidade de Bukowski.
J. Norinaldo.


Bukowski me ensinou a não temer, a realidade das feridas mais nojentas, pois o nojo não dói mais que as feridas, nas ditas pessoas feridentas. Bukowski sabia que o corredor de um hospital, bem podia ser via de uma só mão, que as moscas que rondavam os sujos copos de um boteco, agiam da mesma forma num salão. Qual seria o interesse de Bukowski, que sentimento teria ele pela vida, pelos cacos das seringas já usadas, pelo cheiro de podre das calçadas, ou por sua poesia preferida? Se o deserto morre ao chegar ao mar, já que não pode desviar-se do caminho, o que sentiu Bukowski ao sentir que a morte, não queria mais vê-lo tão sozinho?


domingo, 12 de agosto de 2012




Sonhos.
J. Norinaldo.


Torpes não são meus pensamentos, nem meus sonhos indizíveis como dizem, como na vida tudo, tudo se copia, sou um gênio se a minha mente cria o que tenho pensado e sonhado, tudo, tudo que a humanidade queria. Porém muitos não conseguem nem pensar, imaginem desenhar tudo num sonho e depois descrever  ou escrever, afirmando ser de sua autoria..





A revolta sem ação engrandece apenas a si mesma.
J. Norinaldo.




A beleza da loucura é que as correntes vêm de fora da quadrinha.
J. Norinaldo.