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domingo, 20 de março de 2016





O Caminho do abismo.
J. Norinaldo



Enquanto Tiver o  poder de apontar um dedo que indique um caminho que não leve ao abismo, que te livre das feras, das grades ou correntes, víboras e serpentes eu assim o farei. Desde que aprendi com um menino velho a sombra de um velho carvalho, que um trilhão de mentiras que lotem pradarias e vales, que sejam estórias de lutas de glórias, de levante ou de fé, que preencham alfarrábios ou bibliotecas inteiras; não valem por simples “É” mas que indica ações que são verdadeiras. Enquanto eu puder não te indicar um templo, mas te dar  o exemplo que com menino velho aprendi, quando era um velho menino que ao invés de brincar vivia a buscar por este caminho. Enquanto eu puder, mover só um cílio e não houver empecilho para alguém me entender, tentarei  te dizer através de sinais que faças o bem sem olhar a quem, pois quando estiveres nesse caminho acompanhado ou sozinho, e olhares para trás, será só para saber o quão longe vais, e não por temeres ninguém. U menino velho ou um velho menino, metáfora de inocente uma brincadeira, pois ninguém fez a montanha somente para alguém brincar na ladeira.

sábado, 19 de março de 2016




Diamantes Mandarins.
J. Norinaldo.



Num mural bem maior que o Universo, em sonhos eu vejo, os retratos bem visíveis, todos quietos como velhos num asilo, daqueles que partiram e reconheço entre milhões as vezes um entre multidões assim como uma estrela no céu pelo seu brilho. Todos um dia serão partes integrantes, deste acervo onde não há seleção, a posição é por ordem de chegada e não há nada que separe os mais brilhantes. Alguns chegaram quando ainda não se contava o tempo, se calculava as ovelhas por montantes, e não pensem que por isto se apagaram, alguns deles continuam mais brilhantes. Este mural não é o livro da vida, mas na verdade o que fizemos dela, muitos chegaram trazendo alguns rabiscos, alguns gravetos como o jogo da velha, e alguns apenas com pequenos asteriscos, aqui foram considerados autores de lindas telas. Este mural diz o que fomos na vida, o que deixamos de história a ser contada, alguns tem livros a serem erguidos por guindastes, mas só volume de conteúdo nada, outros que aparentam velhos trastes como ponta de cigarro aceso; e não há guindaste que consiga erguer lhe o peso. Não é a beleza do Teatro que diz o valor da peça que te encanta, nem a maciez da poltrona em que se senta, nem a elegância dos que estão nos camarins tão elegantes, mas sim quiçá aquele que a escreveu, baseada no canto dos diamantes mandarins.

sexta-feira, 18 de março de 2016




Quem Avisa Amigo É!
J. Norinaldo.



Onde já foi um espaço para amizade e poesia, hoje o que se vê e ouve é ranger de dentes, gritos de dor e agonia, agressões, o pipocar das bombas novamente duas cores como uma dicotomia que poderá levar a uma tragédia, uma ação repudiada, porém tardia com vidas ceifadas sem motivo, com tantos exemplos de outras nações ao vivo e por aqui por enquanto apenas água e fumaça, quando o chumbo e fogo não começar a cair sobre a massa; os valentes já sem tempo de fugir, sem escolha do lugar onde cair como massa de manobra de uma luta inglória, sendo depois contado na história como números e estáticas, nada  de manchetes jornalísticas, pois essas são para quem os insuflou, estes ficarão num ambiente de homogenia, longe da lacrimogênia dos que choram sem saber porque; ou apenas tentando aparecer terminam desparecendo sem quem os mandou querer saber. Nem por isto abandonarei a poesia, mesmo que as bombas explodam longe ou perto; não sei quem está errado ou certo, nesta triste dicotomia; não esqueçam que a água é um aviso, já que rega  faz brotar a vida; mas quando vier o fogo na avenida, ali, nada mais nascerá e você será apenas mais um, coberto por uma escavadeira nalguma vala comum; sem garbo, sem orgulho e sem glória, apenas um número na história, que estará se lixando para você.

sábado, 12 de março de 2016




Onde será que ficou a Inocência?
J. Norinaldo.




Se a minha poesia alguém encanta, ou desencanta não sei se culpa tenho, não sei que sou nem de onde venho, ou quem me ensinou a escrever, ou até mesmo a me atrever a lhes mostrar, não sei se o que faço é poetar ou mostrar o que a minha alma manda, como numa cantiga de ciranda a moda antiga, meninas de mãos dadas a cantar, tentando o encanto do luar; quando não existia celular, havia brincadeiras nas calçadas amarelinhas com giz marcadas e a inocência das saias de godê. Se o que escrevo é poema, quiçá a vida dê o tema e a minha alma dite o verso; talvez alegre um mundo perverso, onde os pervertidos somos nós, pois o mundo sequer voz, tem para um poetar. Se o que escrevo é heresia, mesmo assim batizo de poesia pode crer é sem maldade, que tento plantar felicidade ou sou um  demente, pois sem conhecer a semente que deve estar dentro de mim, como plantar um jardim, sem ter um regador decente. Se o que escrevo nada diz, quiçá seja igual ao giz do cachorro que ficava sobre o rádio em sua sala, que desenhou a amarelinha em você brincou, mas não fala, pensando ser infelicidade,  toda essa idade que traz, vergonha de dizer que brincou, com um brinquedo que não existe mais, e poucos lembram da sua existência, ou do cachorro sobre o rádio e até da inocência, que há muito se deixou pra trás.



Ideia de Rebanho.
J. Norinaldo.




Do rebanho do qual sou desgarrado, cujo degredo o deprime, sou alfa da matilha pela qual fui adotado, sem ter cometido nenhum crime; jamais farei parte de rebanho, mesmo que o rio em que me banho não seja o mesmo, assim como o tempo que não me espera ou me redime. Não sou rebanho e nem pastor, porque sei que qual é a corrente que me impede de correr; não tenho ídolos ou lideres porque o que é preciso eu sei dizer, se algo as vezes  não entendo não desisto, insisto até conseguir aprender. Portanto não me diga o que fazer ou o que temer pelo tamanho, se não sabe que não pode entrar duas vezes no mesmo Rio, que a vida inteira tomou banho; eu mesmo secarei as minhas lágrimas, e se o meu lenço cair eu mesmo apanho. Não é soberba e nem orgulho; mas rebanho para mim nada mais é do que quadrilha, bem diferente da matilha que me adotou e onde Alfa sou, sem alfa ser e vir a ser liderado, prefiro mil vezes continuar desgarrado, escrevendo na poeira o que penso, que o vento leve para qualquer lado, jamais meus rastro é encontrado entre milhares nem em sonho, como a ovelha que do lobo usa o couro, pois bem sei que o fim de todo rebanho é seguir cabisbaixo ao matadouro. Não me convide a gritar junto, se não conheço a fundo o assunto, jamais gritarei só por gritar, ou para alguém agradar, um alfa prefere o precipício a ter que se passar a isso, quem o fizer... Alfa jamais também será.

sexta-feira, 11 de março de 2016



   Cachoeirinha, Pernambuco, por Vocês eu sou Maluco.
J. Norinaldo


Hoje eu sou um homem feliz por ter lembranças felizes de uma vila encantada, com suas ruas empoeiradas, suas famílias irmanadas como nos contos de fadas. Crianças obedientes todas em um só  Deus crentes ensinados por sua Fada Madrinha; privilégios de que conheceu ainda menino, D. Glorinha, a Professora Tarsila e a querida D. joaninha. Sou feliz e agradeço ter vivido nesse chão, mesmo um seco torrão donde às vezes nada brota, mas quem é de fora não nota nenhuma insatisfação; muitas às vezes batem asas como aves de arribação, levando o pouco que tem no seu pobre matulão, e a saudade no peito  e Cachoeirinha no coração. Não quero ser presunçoso falando da minha vila, do seu motor Caterpilla que era manobrado por Bel, quando em criança brincava sem celular que avisasse que quando o motor coisasse o medo da escuridão, pois até em bicho papão em nosso tempo era coisa que se acreditasse. Depois veio a luz mais forte da Usina de Paulo Afonso, e o progresso meio sonso  soterrou a minha Vila; ainda bem que estava longe sofrendo sua saudade e não vi essa maldade tão necessária para a missão ser cumprida, desde então não vou a velório de amigo, prefiro tê-lo na mente comigo como o via em vida. Cachoeirinha, Cachoeirinha, tua história pode ser simples, mas é repleta de glória; lembra-te de D. Glorinha, que era um nome diminuto, mas falando em peso bruto, quanta glória essa mulher tinha. Abdon Jordão, e a Família Raimundo, Sobral, Agripino, Simões, Chalegre para  falar de todo mundo me falta espaço e tempo, mas repito, Abílio, Júlio Palito, Chiole Alfredo alicate, Mãe quitéria e hoje até eu faço parte de parte dessa história que começou a ser contada e não pode ser esquecida, ou se perde a razão da vida e esta não vale nada. Às vezes cavalgo o tempo nas asas da imaginação, e me vejo novamente a correr por este chão, pensando em Manoel Vicente Janja, Bel e João Romão, na bela Coló de miro, a Professora  Maria de Cesário pessoas que até hoje admiro e dedico tanto amor, como aos amigos que partiram Biducha, Cariri e a Dolores de Guingô; e choro feito criança, mas mantenho a esperança que um dia o Rio Una sem parar suas águas para sempre corram e essas lembranças não morram e se percam no vazio, como morre o nosso Rio. Que os novos Cachoeirenses  não esqueçam velhos bordões esquecidos pelos moderno do mundo, pois por ai ainda existem Jordões, Tavares, sobrais e Raimundo. E que para ser nordestino não é só saber usar um belo chapéu de couro, e escrever verso  feito eu, mas sim tratar como ouro o torrão em que nasceu.

terça-feira, 8 de março de 2016




Salve CFN No Seu Dia. 07 de Março de 2016.
J. Norinaldo


Eu devo ter herdado do chão seco do meu nordeste querido  a honra e a hombridade de dizer o que penso e de reconhecer quando a fome foi mais forte e me fez usar o talento para me fazer de covarde me curvando diante de idiotas e verdadeiros líderes dos quais não me arrependo. Porém de modo algum no entanto os idiotas sabiam justamente por serem idiotas que enquanto eu tremia na sua frente era justamente porque por dentro sorria as gargalhadas. Fui homem bastante para cumprir um juramento que fiz e acreditei e acredito até hoje, porém não esperem que eu jamais vá  ser “Maria vai com as outras’, ou seja continuar seguindo  ou pensando igual a chefes ou líderes. Hoje sigo o que penso e sei usar dos meus direitos, apesar de um dia ter parecido Sancho Pança, hoje me resta como riqueza a liberdade e a pança. Se não uso cabelos longos porque lamentavelmente não os tenho, barba, que já tive alguém que não sei nem se era realmente homem mandando que  eu a fizesse direito, pois não estava a seu gosto. Hoje estou livre das amarras e se chamar corda de corda, e alguém me disser que tenho que dizer cabo, eu o mando bem distante. Sempre que recebo em minha humilde casa, não somente aqueles que pensam igual a mim, mas que não tentem me fazer pensar igual a eles, para mim é uma honra e minha alma fica em festa. Porém, se não tem conteúdo para uma boa conversa, ou não foi pelo menos capaz de uma aventura que nos faça rir ou chorar juntos, será também bem vindo, mas jamais como o supracitado. Se herdei do chão seco do meu querido nordeste, farei tudo para honrar esta herança enquanto vida tiver; comer feijão com farinha não em nada me desonra, me sentirei desonrado comendo caviar  e mostrando as próteses dentárias a quem já tentou me escravizar e hoje por falta de ambiente vem tentar me abraçar. Me esquece, e não te esquece; não estou renegando a Marinha ou oo CFN que muito me orgulho de servido e cumprido meu juramento. Porém tenho consciência que hoje os Quartéis são para aqueles que assumiram meu lugar, e o meu lugar é no meu lar, a receber alguns amigos que aqui queiram chegar, e esperar. Se chamado, não me furtarei jamais ao meu juramento, mesmo que tenham que me arranjar uma arma mais leve e que eu não tenha que determinar o ritmo da marcha como fazem os sábios lobos quando movimentam a matilha. Hoje sou o Alfa da minha Matilha e a sentinela do meu portão principal, onde quem não é amigo, entra, mas com mandado Judicial. ADSSUMUS!