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sábado, 11 de agosto de 2012




No Ventre da Noite.
J. Norinaldo.


No ventre da noite que gesta o escuro, que escreve o futuro no manto do medo, e esconde o segredo que afoito geme, como a avenca que treme na parede do poço. Na rapidez do raio o sibilar do chicote, quando a luz de um archote apaga o escuro, e em letras douradas a menção ao futuro que chega e jamais fica a esperar o presente. O escuro é mais frágil que o talo da avenca, o manto do medo uma tela na parede do poço, e o ventre da noite gestante do escuro, dá a luz ao futuro quando o archote é aceso.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012




O Rio e a Montanha.
J. Norinaldo.


Não culpo a distancia ou o tempo, ou vento que desvia nosso grito, a montanha é mais alta a cada dia, e o horizonte se afasta quando chego, o tempo sem ferrugem é o cada dia, que faz ficar mais alta a montanha. Não culpo a montanha nem o tempo, que o rio leva para contorna-la, visto do alto bem mais belo, que a serpente que segue em linha reta, e nem a distancia acrescida, pois por onde passa leva vida, o rio que contorna e caminha em sua meta. Do alto da montanha vejo o mar, e o rio quando deixa de ser rio para se tornar bem maior, vejo o horizonte onde está, na verdade apenas o retorno, como um dia voltarei para ser pó. O mar o rio e a montanha, o vento o horizonte o caminhar, o tempo a distancia e o contorno... O bem maior que é o chegar.

domingo, 5 de agosto de 2012




Meus Cavalos de Fogo.
J. Norinaldo.


Mitigando minha fúria sem sentido, que me queima como fogo de monturo, tornando profana a minha alma, enquanto sonho com os cacos do futuro. Com as unhas vou cavando minha estrada, atirando nos aceiros minhas iras, enquanto o fio das navalhas conhecidas, vão deixando novamente a alma em tiras. Pode até não ter sentido a minha fúria, como um blefe de quem não conhece o jogo, nem os rastros da estrada que cavei, ou em sonhos cavalguei os meus cavalos de fogo. Mitigando sem fúria os meus sentidos, que atentos aos aceiros da estrada, enquanto meus cavalos se incendeiam,  cavalgando sempre na direção do nada; ou do fio da navalha afiada.

sábado, 4 de agosto de 2012






Imortalidade.
J. Norinaldo.


Enquanto a cimitarra corta o vento, com o gume alisando cada aresta, pela fresta da vida alguém espia, a quem agoniza de prazer e a própria vida faz crescer semeando no campo do destino. Noutro canto alguém se estertora, agoniza quando a vida vai embora, enquanto estampam nos jornais, o retrato da mentira que restou. Enquanto alguém lava em pranto as flores mortas, as janelas e as portas são fechadas e em casas pequenas enfileiradas são deixadas as verdades que morreram. Novos jardins serão plantados, a espera de flores perfumadas, que enfeitarão as casinhas enfileiradas, quando novas portas fecharão, e a semente plantada no campo do destino, que vingou e deu flor e o fruto, resta agora num vaso diminuto, anunciado numa tira do jornal, a verdade da mentira que viveu, nem sequer o último espaço é seu, de seu somente um dia o esquecimento.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012





Lenços e Velas.

J. Norinaldo


Acenei para a multidão no cais enquanto minhas lágrimas caiam, não por alguém que ali ficava, ou por quem noutro lugar me esperava, e sim por ninguém me queria. Sonhava que no fim dessa jornada, sim, seria tudo diferente, e quando partisse novamente; no cais haveria alguém chorando. Será que no cais havia alguém, que também chorava e acenava  a esmo? Um aceno levado pelo vento, e lágrimas que derramamos por nós mesmo. Será que enquanto os lenços bailam ao vento, nenhum pensamento está distante, e quando as velas já não forem vistas, encobertas pelas ondas e suas cristas, pensamentos que se juntam sem aceno. O último aceno a multidão, e a pequena multidão no tombadilho, onde reina o pensamento do retorno, do ficar, do para sempre sem sentido; o lenço é guardado novamente, pequena vela que não leva o barco a frente e agora, retém as  lágrimas de quem desespera e chora, por alguém que as velas levam embora.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012




O Que você Pensa a Respeito?
J. Norinaldo.


A vida deveria ser como num curso, iniciado, só entrariam novos alunos após seu término e o inicio do outro. Assim,  ninguém diria: sinto saudades do meu tempo, não teria tempo para tal. Ou não se sentiria lesado quando surgisse nova tecnologia, e não tivesse mais tempo para curti-la. Ah! Esse tempo! Faz tempo que me preocupo com ele, e olha que a tecnologia tem-me ajudado.






Em cada antena vejo uma cruz sobre o túmulo do romantismo, da inocência e da amizade. Ou uma bandeira ao consumismo,  segregação racial ou uma seta que indica a direção do abismo.

J. Norinaldo.