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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014



Queria Tanto.
J. Norinaldo.


Eu queria tanto escrever um belo  poema para homenagear a América, quando descobri que alguém já fez, tão pequeno como o frasco do mais raro perfume, mas confesso me causou grande ciúme porque queria eu fazer, simplesmente para dizer o que foi dito, Tão bonito: : “DEUS SALVE A AMÉRICA”.


Nada.
J. Norinaldo.



De nada fiz um castelo que por nada desmoronou, por certo não sobrou nada, pois nada nunca sobrou, se eu só sei que nada sei quem foi que nada me ensinou, e se nada sei que sei, é por que nada restou, por que falaria em nada se nada não existisse, não é como a tristeza que você sente sem ver, nada dói mais que ser triste imagine se eu a visse. Nada dói mais que ser triste, eu não consigo explicar, se nada inexistisse para que nela aqui falar, significando mais do que a dor da tristeza, nada é mais belo que a vida, o céu e a natureza. Então nada é tão belo que não consigo entender... Nada é a soma da vida vezes tudo que eu viver.


Onde Está a Beleza...
J. Norinaldo.


A beleza da tela está na tinta ou está na cor, está nos olhos de quem pinta ou pintou ou a parede onde está pendurada determina seu valor? Se a parede valoriza tanto a tela a tinta dela ou aquele que a pintou, ou tudo remete ao dono do castelo, que feio ou belo a riqueza conquistou? Que conceitos são usados para valores que avaliam os amores e paixões, representados nas telas raras da vida, penduradas em paredes com pinturas carcomidas, encravadas nas securas dos sertões? Quem não viu pode crer verá ainda, uma palhoça lá na roça coisa linda, e se parar e pedir água para beber, sentado a sombra do arvoredo em rude banco,  olhe bem na parede e pode ver, casais felizes em retratos preto e branco. A beleza nem sempre escolhe cor, nem sei se  o amor é colorido ou preto e branco, quem sabe você poderá me responder, da visão que tem ai desse seu banco.

domingo, 5 de janeiro de 2014



Dança Cigana.
J. Norinaldo.



A vida é como uma dança cigana com passo que as vezes parece inseguro como o limiar do futuro que ninguém sabe onde é, cada passo dos dançarinos denota cada caminho ou cada rota, cada esperança, cada sombra cada treva que este caminho te leva nos leves passos da dança. A vida, também pode ser cigana, se engana que pensa na pátria da vida. Quem é capaz de garantir que a felicidade mundana é verdadeira ou não passa de uma dança cigana em volta de uma fogueira. Quem me garante que a vida é um presente ou missão que eu terei que cumprir, e dependendo do que da vida eu fizer, depois perante a quem me deu tal missão, de joelhos tenha que pedir perdão por minha falta de fé. Se a vida realmente for cigana por que a idéia tirana de relegá-la  a castelo dote ou herança até a hora derradeira, se para ser alegre em sua dança, necessita apenas de uma fogueira.


Meu Cansaço.
J. Norinaldo



Eu estou cansado de ver foto colorida que é a maquiagem da vida, mostrando uma vida bem melhor. Estou cansado de fugir desesperado em busca de um futuro tão sonhado, para acordar de repente, contando uma história no presente e quando terminar já é passado. Estou me  acostumando com o fracasso, colocando a culpa no cansaço, temendo voltar para o passado já vivido e depois percorrer um caminho já percorrido, sem achar graça em um colorido que acabei de colorir. Eu tenho pavor de ficar sabendo que o meu futuro está encolhendo e só o meu passado está crescendo com os restos do presente que passou. Estou desacreditando até na minha poesia, que vai mudando a cada dia e já não fala mais de amor; por que para tudo a vida roda e o amor a muito saiu da moda, assim como romantismo e amante, hoje o que existe é ficante, que ao vocabulário sequer ainda se incorporou. Estou cansado, e temeroso e com pouca fé,  que nessa minha ânsia cega, a minha poesia ficou brega e nem poesia  na verdade é. Eu realmente estou muito assustado, com esta minha caminha em direção ao futuro, se até o amor hoje é coisa do passado.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014



Um Brinquedo Já Usado.
J. Norinaldo.



Uma sombra que se move sem o vento, como um pincel a deslizar numa aquarela, que corre, se agacha e abre os braços através da luz tremulante de uma vela, pode se chamar felicidade para alguém solitário de verdade que vê a felicidade nela; o naufrago sozinho na ilha bela, que conversava com a velha bola ressequida, que o vento trouxe através das ondas depois de usada e esquecida, quem jamais iria imaginas que poderia um velho traste ganhar vida. Como um brinquedo já brincado e renegado, num quartinho com ele parecido, escutar sonho novo e colorido de um menino a quem foi presenteado;  num quartinho iluminado a luz de vela, onde as sombras são respingos da aquarela, ou pirilampos saltitantes coloridos, roubados do sonho da Cinderela. Um velho macaco um brinquedo já brincado para um naufrago algo sensacional, para o menino um presente de Natal, o primeiro que jamais é esquecido. Sr. Wilson, uma velha bola de couro, que valeu muito mais que um tesouro, sem valor nenhum contra a solidão, um maçado, o brinquedo já usado, um presente que ainda será brincado, por quem não sabe o que é ingratidão.


Miragem.
J. Norinaldo.



Vou seguir escrevendo no deserto uma canção para o vento decorar, a melodia deixarei que a solidão se encarregue de compor, inspirada na paisagem para uma platéia repleta de miragem que o sol desenha com seu calor. Na partitura de passos na areia, em cada nota um fantasma sem idéia, da beleza dos desenhos da platéia, como um falsete da canção que canta o vento. A solidão se pudesse apagaria, não só a letra da canção que a espanta, mas também a miragem que encanta, mesmo sem nunca chegar perto, daquele que se perde no deserto e ouve a canção que o vento canta. Vou seguir escrevendo na areia enquanto o arco íris se levanta como a tiara da sereia, que no deserto de água também canta, a canção que tanto encanta o vento que na onda bordada serpenteia. Vou seguir rabiscando no deserto, longe ou perto aonde existir areia, para que o vento venha e cante, se embalando no colo da maré cheia.