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quinta-feira, 8 de abril de 2010


O Decote da Deusa.
J. Norinaldo

Se o decote da deusa cativa o olhar,
Motiva o sonhar que a mente extasia,
Pecado seria fingir que não vejo,
O louco desejo que assoma meu ser,
Ao ver os teus seios uma obra dos céus...
Cobertos por véus sedentos de beijo.

Na alvura do colo ó musa divina,
Uma rosa púrpura com lábios de mel,
No busto perfeito o desenho do mestre,
Que usa a aquarela do seu coração,
E a alma na mão segurando o pincel...
Na eterna busca pela perfeição.

Dizem que morro quando estou a dormir,
E dormindo é que sonho, aspiro e anseio,
Será que sou parte de um sonho de alguém,
Que sonha também tocar o teu seio;
Redondo e tão alvo como a lua no céu...
Teu corpo sem véu é um convite a pecar




quarta-feira, 7 de abril de 2010


A Garupa da Vida.
J. Norinaldo.

Quem cavalga a garupa da vida,
O horizonte se torna mais longe,
Nunca vê seu destino de frente,
Não é dono da tropa que tange,
Desconhece o ditame da lei,
Vale menos que o cavalo do rei.

Quem afaga os tesouros alheios,
Esquecendo os conselhos do Pai,
Adorando bezerros de ouro,
Correndo sem saber aonde vai,
Cavalgando a garupa da vida...
Na certeza que um dia cai.

Quem caminha a beira do abismo,
Acostuma-se ao pavor da vertigem,
Quem cavalga a garupa da vida,
Agarra-se a outro como esteio,
Na corrida estará sempre atrás,
E na vida na sabe a que veio.

Quem cavalga a garupa da vida,
Ocupa sempre a nave do templo,
Ninguém ouvirá seu sermão,
Sua voz nunca será ouvida,
Ninguém nasce para exemplo...
Ou para cavalgar a garupa da vida.







segunda-feira, 5 de abril de 2010


Resquícios de amor.
J. Norinaldo.

Resquícios desse amor que vem de longe,
Tão presente neste presente absorto,
Diferente de todos os outros amores,
Falsas dores de um amor em cada porto;
O amor que se vive e não se esquece...
Mesmo que este alguém esteja morto.

O amor não tem peso e nem altura,
Portanto pra ciência é sem valor,
O amor é uma avalanche de ternura,
Para um príncipe ou para um gladiador.
Quando não compreendido vira ódio...
E não há pódio pra quem se diz vencedor.

Amor é oferta e não promessa,
Não se marca o amor como uma jóia,
Não se conquista um amor pela espada,
Menelau que era um grande espadachim,
Porém Paris com o escudo da paixão,
Conquistou a linda de Helena de Tróia.


domingo, 4 de abril de 2010


Chuva no Telhado.
J. Norinaldo.

Enquanto a chuva tamborila no telhado,
Acompanhando a canção que sopra o vento,
Inarmônico concerto em um palco de ternura,
Que contrastam com o sonhar a cama morna,
Na madorna em que cavalga essa loucura...
Na tormenta dessa dor sem sofrimento.

Na madrugada escura sem a lua,
Ilumina o meu quarto a pele nua,
Deste corpo enlouquecido de paixão,
Deixando marcas do colóquio nos lençóis,
Como se o mundo pertencesse só a nós...
E a nossa alcova fosse a fonte da razão.

A chuva passa, passa a noite e vem o dia,
Mas não passa a ilusão do sonho louco,
Ainda sinto nos lábios o sabor da tua boca,
Ainda ouço teu gritar com a voz rouca,
Eu te amo, eu te quero, não te vais,
Abraça-me, por favor eu quero mais.


Feliz Páscoa.
Páscoa, Ontem e Hoje.
J. Norinaldo.

Jesus ressuscitou, mas não ficou,
Depois que provou nossa maldade,
Voltou para o céu de onde veio,
Mesmo assim nos deixando seu amor,
E pedindo ao Pai por todos nós piedade.

Perdoai-os, pois não sabem o que fazem,
E nós, será que nos arrependemos?
E seguimos o Seu caminho de luz,
Ou prosseguimos não sabendo o que fazer,
E O pregaríamos novamente numa cruz?

É só lembrar a Páscoa de antigamente,
Com jejum, orações recolhimento,
Se a festa lembrava a ressurreição,
A Via Crucis na Sexta Feira da Paixão...
Quase tudo caiu no esquecimento.

Páscoa, passagem, conquista libertação,
Foi o que aprendi no catecismo,
Ao meu filho hoje lembra chocolate,
A humanidade motivo pra consumismo...
Na certeza de obter outra vez o Seu perdão.

sexta-feira, 2 de abril de 2010


Meus Defeitos.
J. Norinaldo.

Meus defeitos são bem feitos
Tão perfeitos que tu notas,
Meus bem feitos tem defeitos
Imperfeitas franjas rotas,
Ser perfeito é ter defeitos,
Ter direito a linhas tortas.

Meus defeitos tem direitos,
Teus direitos tem defeitos,
O meu direito termina,
Quando iniciar o teu,
Porém sempre o teu defeito
É bem melhor que o meu.

Quem nunca teve defeitos
Igual aos meus e aos teus,
Aquele que trouxe ao mundo
O Amor, verdade e a prece,
E foi pra cruz sem defeito...
Imaginem se os tivesse.


quinta-feira, 1 de abril de 2010


Depois das Dunas.
J. Norinaldo.

A vida muda, muda a todo o momento,
Mudam as nuvens muda a direção do vento,
Muda o corte do cabelo, muda o gosto da salsicha,
Muda o sinal de transito, muda o seu pensamento;
Muda a estação do ano, muda a faixa de pedestres,
Mas eu não consigo ver o que há depois das dunas.

Cada árvore que cai é uma história perdida,
Cada história que se conta há uma ilusão contida,
Cada pássaro que canta é uma canção esquecida,
Em cada beijo de amor uma promessa de vida.
Em cada curva da estrada uma surpresa esperada...
Mas eu não consigo ver o que há depois das dunas.

Muda os desenhos das roupas muda o jeito de vestir,
Muda o jeito de falar de andar de comer e de sorrir,
Muda a plumagem dos pássaros muda o beijo de amor,
Muda-se a muda da árvore mesmo pra depois cair;
E a vida vai mudando por que não pode parar,
Mas eu não consigo ver o que há depois das dunas.

Tudo na vida muda, somente eu não mudei,
Aqui na minha janela vendo a vida passar,
Vendo as árvores tombando sem nada fazer pra mudar,
Como vou saber o que há depois das dunas?
Se nunca me levantei e caminhei até lá?
E você sabe dizer o que há depois das dunas?