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domingo, 4 de setembro de 2011



A Esperança.

J. Norinaldo.


Quando a minha esgarçada esperança,

Bater asas e não mais sair do chão,

E no meu peito a saudade das alturas,

Como os espinhos das minhas amarguras...

Ferirem aos poucos o coração.


Farei o meu refúgio na montanha,

Sem levar por mobília minhas cismas,

Sem temer a altura do abismo;

Vou olhar para o alto sem rancor,

E plantar o meu amor sem sofismas.


Plantarei um jardim com flores lindas,

Oferecendo ao vento seu perfume,

Encantando-me com o voejar do beija flor,

E com o zumbido da abelha sem ciúme...

Pois no estrume pode nascer o amor.


A esperança é como a nascente de rio,

Que começa com um fio e logo cresce,

Vira um rio e se encaminha para o mar;

Não morre, mas também desaparece...

Se quem a tem, pensa somente em voar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011






A Palhaça que Falava o Mandarim.

J. Norinaldo.


Um pequeno circo sem lona e sem leões,

Onde os anões eram gigantes de marfim,

Que retratavam os dragões do eu menino,

Apaixonei-me pela palhaça mais linda...

Uma deusa, que falava o mandarim.


Jamais esqueço da chegada e da partida,

Nesta vida de onde um dia irei partir,

Desta nômade de um sorriso encantador;

Que com certeza foi o meu primeiro amor...

Partiu levando o meu jeito de sorrir.


Um pobre circo, uma trupe sem talento,

Cujo relento era o teto do seu mundo,

Mas quão profundo marcou seu nome em mim;

Uma palhaça para muitos, até sem graça...

Mas que era bela e que falava o mandarim.


Freqüentei circos com leões e domadores,

Domando as dores que até hoje dói em mim,

O tempo passa, eu cresci o que é normal,

Hoje sei que aquela deusa vive em Lisboa Portugal...

Não é a mesma e até esqueceu o Mandarim.


Para provar a grandeza desse amor,

Fiz de tudo e aprendi o Mandarim,

E ainda falo até com certa fluência;

No fundo a vida até parece penitencia...

Não me deixar esquecer quem nunca lembrou de mim.




O Tempo e o Espelho.
J. Norinaldo.


O tempo é senhor de tudo, faz e desfaz quando quer, houve um tempo em que podia, houve outro em que havia, já houve um tempo qualquer. O tempo às vezes está bom, o tempo passa depressa quando a gente não quer. O relógio marca o tempo, mas vem de um tempo pra cá, alguém ganha ou perde tempo sem ter o tempo sequer, o tempo é o inimigo número um da mulher. O tempo tem um cinzel que arranha aos poucos a beleza, como aprendendo escrever na louça da vaidade, o tempo não tem idade, ou não se sabe se tem não deixa livre ninguém, mesmo causando desgosto, vai rabiscando no rosto o tempo que cada um tem. Quando tiver um tempinho, preste atenção ao tempo esqueça um pouco o espelho que nada pode fazer, e pode ser enganado mostrando aquilo que vê, mesmo sem olhos te  mostra, aquilo que queres ser; disfarçando a escrita, que o tempo teima em escrever.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


No Bordão do Meu Poema.

J. Norinaldo.


No bordão do meu poema, sobra rima e falta tema, letras que perfumem a alma, palavras doces que acalma como o riacho que corre como o dia que morre e cede lugar a noite e a deusa lua de prata que com o brilho sobre a mata torna a safira mais bela, como a moça na janela namora a brisa noturna e a tristeza se enfurna por não ter lugar a mesa. E o poeta divagando devagar vai construindo e aos poucos vai surgindo a tela feita na mente, de manhã o sol nascente mostra que o dia está vivo, e a moça da janela colhe pedaços de sonho, como retalhos de estrelas.

No bordão do meu poema falta rima e sobra tema, como a moça da janela sonhando com o diadema de uma princesa encantada. E de novo vem à noite com sua lua de prata e se reflete na cascata que se transforma em riacho, e o poeta rio abaixo remando sem ter destino, pouco a pouco construindo mais uma roseira em cacho, seguindo o farol da lua, como uma deusa nua para acolhe-lo nos braços

Meu poema tem bordão, palavra já em desuso, agora tem tema e rima, como um barco rio acima, no rio que foi riacho, e a menina da janela sonhou com a roseira em cacho numa noite enluarada, a lua é seu diadema, e ela a princesa encantada; e o rio que foi riacho logo, logo será mar, antes da noite acabar para dar lugar ao dia, antes que esta poesia, chegue ao ultimo verso.

Se poesia não for, mesmo assim com muito amor, ofereço para o dia, para o rio e o riacho e para a lua tão bela, para você que está lendo... e para a moça da janela.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011


Como Um Brinde.

J. Norinaldo.


Uma paixão, uma lembrança uma saudade,

Um reencontro, velhas feridas que se abrem,

Duas almas separadas por muralhas,

Construídas com as pedras de uma ponte;

O que unia hoje separa sem melindre...

Como um brinde, que se ergue sobre palhas.


Uma lembrança, uma saudade uma paixão,

Uma razão a nostalgia que não passa,

Tão rotineira como as folhas no outono,

Como a maneira que a fantasia se esgarça;

Como cão fiel que segue o dono...

Como um Bride, que é erguido a fumaça.


De onde surgiu a saudade a nostalgia,

Será que um dia isto vai cair de moda?

Ou a vida necessita desse adorno?

Como a árvore que vem forte após a poda;

E a águia troca o bico por mais vida...

Como um brinde, que se ergue ao sangue morno.


Uma saudade, uma paixão uma lembrança,

Uma sombra, uma existência e um cajado,

A fantasia esgarçada pelo tempo vaticina...

Na voz do vento a canção que vem de longe,

Na tez do monge a lonjura de um passado...

Como um Bride, que se ergue a ruína.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011








Paixão Perene.

J. Norinaldo.


Irene não precisa enfrentar o consulado,

Por um visto que tantas vezes é negado,

Pelo simples exercício do poder,

Chegará à Nova York amanhã,

Rogo a Deus para que lhe transmita calma,

E com a grandeza de uma alma admire a beleza da Maçã.


Irene sem mesquita e sem turbante,

Mesmo assim será persona non grata,

Sem tapete vermelho a sua espera,

Deus permita que seja calma essa visita;

Que em seu rastro não fique uma tapera...

Que seja Irene nada mais que uma turista.


Nunca neguei minha paixão por Nova York,

Que para mim é uma estrela tão distante,

Mas este amor para mim será perene,

Por isto agora rezo mesmo que a distancia;

E peço a Deus com muita fé no coração...

Que minha paixão seja a paixão de Irene.


Irene bem que podia ir passear no deserto,

Brincar na areia sem fazer mal a ninguém,

Eu também tive uma Irene, uma paixão,

Uma ilusão que qualquer menino tem;

Peço a Deus que deixe um anjo de plantão...

E que não permita que Irene maltrate o meu bem.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011


Eu.

J. Norinaldo.


Eu não tenho o valor que penso ter,

E nem dou o valor que você tem,

E o que tenho não tem nenhum valor,

O amor que imagino não existe,

O valor é algo que vai e vem;

Mas valorizo aquele que tem amor.


Eu não ligo para a dor que me consome,

Não dou nome a tristeza que me invade,

Eu abraço ao um irmão que tenha lepra,

Mas não ensino a rezar a quem não sabe;

Dou caminho a quem tem pressa de chegar...

Nunca entro em lugar que não me cabe.


Nunca faço reverencia a quem merece,

Minha prece é em silencio e sem lamento,

Meu escudo foi fundido de fumaça,

Meu sorriso é fingido e tão sem graça,

Minha riqueza está no meu pensamento.

O meu amor livre como o vôo da garça.


Hoje ando devagar quase parando,

Divagando com o ar de pensador,

Se a ciência está correta no que diz,

O início depois de um ato de amor;

Na corrida entre milhões sobressai...

Sou feliz por que fui um vencedor.