
A Felicidade dos Olhos.
J. Norinaldo.
O homem adquire o mosaico mais caro,
Sobre ele coloca o tapete mais belo,
Depois compra a gueixa de sorriso mais raro,
Para pisar sobre eles com seu rico chinelo;
Não é para os pés que se enfeita o salão...
E sim para os olhos se faz o castelo.
O pássaro negro de canção tão bela,
Canta na cancela da entrada da quinta,
Outro colorido como uma aquarela,
A beleza que tem não é ele quem pinta;
O pássaro negro não escreve a canção,
Nem o colorida necessita de tinta.
O espelho revela a beleza que almejo,
Vejo e revejo sem nunca me cansar,
Até que um triste sorriso me sirva de mote,
Eu cubra o espelho para não mais olhar,
O mosaico se gaste e o tapete desbote...
E a gueixa mude, o seu jeito de andar.
Talvez muito tarde descubra a verdade,
Que a felicidade não está só na visão,
Que o rico tapete estará, um dia no lixo,
O mosaico pintado com tanto capricho;
Ou o andar lascivo da gueixa que compro...
Não seguem comigo para baixo do chão.




