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terça-feira, 11 de outubro de 2011


A Felicidade dos Olhos.

J. Norinaldo.


O homem adquire o mosaico mais caro,

Sobre ele coloca o tapete mais belo,

Depois compra a gueixa de sorriso mais raro,

Para pisar sobre eles com seu rico chinelo;

Não é para os pés que se enfeita o salão...

E sim para os olhos se faz o castelo.


O pássaro negro de canção tão bela,

Canta na cancela da entrada da quinta,

Outro colorido como uma aquarela,

A beleza que tem não é ele quem pinta;

O pássaro negro não escreve a canção,

Nem o colorida necessita de tinta.


O espelho revela a beleza que almejo,

Vejo e revejo sem nunca me cansar,

Até que um triste sorriso me sirva de mote,

Eu cubra o espelho para não mais olhar,

O mosaico se gaste e o tapete desbote...

E a gueixa mude, o seu jeito de andar.


Talvez muito tarde descubra a verdade,

Que a felicidade não está só na visão,

Que o rico tapete estará, um dia no lixo,

O mosaico pintado com tanto capricho;

Ou o andar lascivo da gueixa que compro...

Não seguem comigo para baixo do chão.

domingo, 9 de outubro de 2011


Meu Vício é Amar.

J. Norinaldo.


Sonambulo de um sonho induzido, conduzido ao limbo ao umbral, conheci o inferno não de Dante, estive diante do seu sumo Marechal. Não buscava a pedra filosofal, mas o prazer de um orgasmo infinito, não o sonho proscrito da alquimia, e sim a grande obra da ousadia. Acreditei ser sábio quem me induziu, ser um amigo que conhecia o percurso, enganei-me era o tal amigo urso, cujo abraço é como um fio de um punhal.

E agora o que faço ao acordar, se o fracasso foi o preço da aventura, posso até remendar a minha alma, mas as feridas da carne não tem cura? Hoje o pavor de dormir sem indução, e retornar aos lugares onde estive sem saber na verdade onde vive este orgasmo que eu tanto procurei.

Prometeram-me amor e felicidade, na verdade foi o inferno que encontrei, por isto quero a avisar aquele que não conhece, nenhum ser humano merece, passar na vida o que eu passei, em busca das mentiras do espelho, fui cheirar essa porra que cheirei.

sábado, 8 de outubro de 2011


Soberba.

J. Norinaldo.


Se o peso do fardo me enverga,

E quem enxerga sorri da minha postura,

Por maldade e depois se arrepende,

Jamais será um sábio nesta vida,

Mesmo que venha um dia a se envergar...

Passará a vida na escola e nada aprende.


A capa de um livro não te mostra o conteúdo,

Nem tudo que belo é e colorido e colossal,

O exemplo da cobra coral que é bela e colorida,

Ou da flor da Papola quando para o mal é colhida,

Podem muito bem te ceifar-te a vida...

A beleza não separa o bem do mal.


Quem sorri do homem curvo ou que se arrasta,

Se afasta daquele que por amor morreu por nós,

E talvez repita aquele gesto novamente,

De que serve então o seu arrependimento,

Se o ofendido ouviu só seu sorriso não a voz,

Dizendo eu prego aqueles cravos novamente?


Pense muito bem antes de sorrir do semelhante,

Você um dia pode vir também a se arrastar,

A ser motivo de galhofa de alguém sem coração,

Lembre-se da beleza que tem a cobra coral,

Mas, no entanto seu veneno é tão letal...

A flor da urtiga jamais queima sua mão.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011


Meu Outro Eu.

J. Norinaldo.


Quem me segue pela vida desde que aqui cheguei , ouve meus prantos nas masmorras dos meus medos, os meus segredos que tento esconder do mundo. Leva as mãos a cabeça em desespero, abre os braços, mas não sorri quando feliz, não consegue me amparar quando o sol queima, no deserto concorrido da maldade. Mas pode amparar um semelhante, que pode me ceder o seu amparo. Imita-me em tudo o que faço, pode abraçar um inimigo como faço; faz tudo, mas não pensa como eu penso, por isto não me avisa dos tropeços, se distrai como eu em algum passo. Aonde houver luz está comigo, do sol ou de uma simples lamparina, não sei se está no fim do túnel, ou se segue comigo e não a vejo. Beija quem eu beijo, não sei se também ver o que vejo, se almeja o que almejo. Não sei se fica ou vai comigo, na última viagem dessa vida, não sei se existe luz para onde vou, se é que vou a algum lugar depois da última despedida. Sou ingrato e não reparo em minha sombra, e o que mais me assombra... é que nunca reclamou. E você, já reparou na sua sombra?

domingo, 2 de outubro de 2011


Carta de Amor.

J. Norinaldo.


Minha querida, neste momento é exatamente assim que estou: Colando os cacos da alma, com a resina da dor, tentando encontrar amor no fundo de uma trincheira, na carta manchas de sangue e lágrimas de saudade, pra quem a felicidade ficou pra lá da fronteira. Enquanto o canhão ressoa, nesse bordejar insano, a vida vai se apagando, aqui, ali acolá. Porém se um dia voltar, farei tudo diferente, lembra a colina da gente, vou fazer dela um jardim, plantar rosas e jasmim e um belo gira sol, quando as cores do arrebol forem sumindo atrás do monte, enquanto vejo a sombra da ponte do riacho cristalino, onde brincava em menino a sonhar em ser feliz, não sei o que foi que fiz pra merecer esta guerra, longe de ti e da terra que um dia me viu nascer, mas não pretendo morrer sem realizar meus desejos, matar a fome de beijos que sinto da tua boca, acalmar a ânsia louca, que me causa tanta dor; e neste dia prometo, colarei com muita calma, os cacos da minha alma, com a seiva do nosso amor.


Bem Te Vi.

J. Norinaldo.


Esta noite eu tive um sonho tão lindo,

Voltava a ser um menino outra vez,

A vida voltava a fita, mostrando a felicidade,

A beleza que eu via nas cores do arrebol,

Que o amor é o mesmo para qualquer idade...

E a terra é uma linda flor de girassol.


Eu corria feliz sozinho num imenso trigal,

Cantando, sorrindo e gritando a esmo,

Abanando para a s nuvens, como minha platéia,

Se não agradava o mundo, agradava a mim mesmo;

Este sonho me trouxe de volta para a vida...

Minha tristeza se foi, para onde? Não faço idéia.


Acordei com o canto de um Bem Te Vi,

Parecia dizer que estava em meu sonho também,

Quem sabe cantava comigo tanta felicidade,

Mostrando-me que a vida é o que a gente faz;

E que felicidade e amor não depende de idade...

Respondi: eu também já te vi, e quanto bem me faz.


Abri a janela e o sol penetrou o meu quarto,

E a brisa meu rosto acariciou de mansinho,

Como um suave beijo que o dia me dava,

Enquanto cantava o meu Bem Te Vi;

Emendei o meu sonho com a realidade...

Agora sei, ser feliz, não depende de idade.

sábado, 1 de outubro de 2011


Boi da Cara Preta.

J. Norinaldo.


Sei que não sou como queria ser,

Mas também não podia, por que não pedi,

Quando era uma criança éramos todos iguais,

Só depois descobri que tem uns mais normais,

Mas, só vim, a saber, isso depois que cresci.


As canções de ninar que me deixavam acordado,

Quando eu nem sabia o que era careta,

O preconceito velado pelo boi era franco,

Vem pegar esse menino boi da cara preta,

Por que não podia ser um boi todo branco?


Só depois descobri que o escuro inexiste,

Que o amanhã não chega, pois está no futuro,

Que o passado se foi como carga de um bonde;

Que não devo jamais temer o escuro...

Mas, sim aquilo que nele se esconde.


Pela estrada da vida hoje canto sem ritmo,

Lembrando a cara preta do boi da canção,

Correndo talvez sem saber para onde,

Querendo quem sabe um lugar no bonde...

Que está na estrada, só que na contramão.