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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014



Solidão.
J. Norinaldo.


Silenciosa, fria e rastejante, intrigante como o olhar da serpente, indolor, incolor que de repente  ataca sem explicar a razão, conduzindo ao abismo a multidão sem um único gemido de dor. Intrigante por que nunca está sozinha, no deserto não tem sobra a se pisada, rastejante por que quem está com ela está sempre  olhando para o chão, e é  fria como o piso da prisão; o que seria tão vil e tão maldosa, abominável calculista e venenosa? Claro que é a solidão.
Solidão: lugar ermo e despovoado, vai lá e ela estará por perto e bem calada, pois jamais existiria sozinha, a solidão é a tão tua quanto minha, depende por quem for adotada. Fugir da solidão é muito fácil, para aqueles que jamais a conheceram, pensam que é como a uma corrida, da qual participaram e venceram; vencer a solidão é tão difícil, no cemitério estão aqueles que perderam, em cujas criptas às vezes escritas a esmo: ” Em Fim a sós Comigo Mesmo”. Quiçá o epitáfio da razão, escrito em bronze no troféu da Solidão.



domingo, 9 de fevereiro de 2014



Uivar para a Lua.
J. Norinaldo.



Quando um lobo uiva para a lua, na solidão de uma estrada, é aquela paixão que nos deixa a alma nua, pois quem não é capaz de amar a lua, não tem condições para amar mais nada. Quem não ama a beleza do luar, numa noite tranqüila a beira mar mesmo não estando sozinho sem ninguém, sabe que acima mais além, está o seu mais belo amor. Quando o sol cede seu lugar a lua e as estrelas salpicam de luz o anoitecer, e me encontro sozinho a beira mar, entendo o que leva o lobo a uivar é a distancia do amor que o faz sofrer. Sabe a verdade nua e crua, é que só amá-la eu acho pouco, ah! Se não me chamassem louco, uivaria sempre que visse a lua. Ah! Se eu pertencesse a uma matilha diferente, e  me preocupasse com minha opinião e não com a tua, eu seria feliz indiferente, teria o poder de não ser gente e  o prazer de uivar pra lua; Teria uma colina e não uma rua, teria o vale e a montanha, teria toda a beleza que se sonha e a liberdade de pode uivar pra lua.


O Caminho do Abismo.
J. Norinaldo.



Se num rasgo de loucura ou de cinismo,  segues a passos largos o caminho do abismo, empurrado pelo vento da maldade, na verdade ao voluntário   ostracismo, num impulso depressivo da vontade, pela falta de amor ou pessimismo. Pensa nisso no caminho para o alto, depois do salto não há tempo a se pensar, cuida  bem os teus passos no caminho, se começam a ficar devagarzinho, não hesita para e volta sem pensar. O caminho até o fundo é sem  subida, não te cansa e não tem passos nem saída, é uma despedida sem abraços a uma estrada desconhecida, muitos falam noutra vida, porém ninguém te dá garantia, somente alguma fábula ou alguma  fantasia de algum poeta errante, assim como o inferno de Dante quem me garante que existia? Em fim o melhor que tens a fazer, é compor  desta vida um poema, que pode ser você o próprio tema, declama-o bem alto  para o mundo ver; e lembra-te se não vierem os aplausos, aplaude a ti mesmo e vai viver...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014



Espelho, Espelho Meu...
J. Norinaldo



De repente no fim de uma rua, onde a lua se esconde por trás de uma sebe, uma casa aonde se percebe, na janela a beleza como uma roseira florida, assim como a lua escondida com os cabelos  em desalinho uma bela moça como um passarinho, parece aprontar-se para cantar para a vida. De repente o fim da rua é tão longe e a sebe tão alta que falta espaço para o tempo passar, talvez a donzela assim como a natureza, com toda certeza fez o tempo parar ao ver na janela tanta beleza, pois até o tempo foi se apaixonar. Assim de repente no fim de uma rua, onde a lua se esconde para te espionar e pergunta ao espelho que nem percebeu distraído que estava também a te olhar, é claro que ela é mais bela que você e eu. Sei que tu brilhas por trás da montanha e quem me olha   sonha ser assim tão bela; e a minha resposta para “espelho meu, existe alguém mais bela que eu? É cloro que existe...  a moça da janela que por incrível que pareça nunca me perguntou, se existe alguém mais linda que ela. E agora já sabes seu nome e quem ela é? O nome não importa, basta saber  que ela é mãe, deusa e mulher, alguém muito especial? Sim, a minha mãe ou a sua ou uma mãe qualquer...


As Ondas do Deserto.
J. Norinaldo.



Quando as dunas se desfazem e se amplia o teatro das miragens, como se uma mente  que vazia, se enche facilmente de bobagens, quando o sol se espalha pela a areia, como a onda se espraia na maré cheia e o navegante ouve o canto da sereia vindo de uma concha dourada, uma miragem onde as dunas são as ondas prateadas iluminadas pelos raios do luar, que diferente do sol que no deserto enlouquece, a lua ameniza o calor e faz sonhar. Quando as ondas se desfazem como as dunas, se amplia a imensidão do horizonte, enquanto outro monte serpenteia e como num bailado sobre o mar, a onda se atira sem ter medo, de encontro ao mais duro rochedo com coragem, como no deserto a tempestade de areia, confunde a razão com uma miragem. Quando o mar está sereno, parece um deserto de espelho, onde as miragens são o céu e as estrelas, que os loucos e perdidos podem vê-las, assim como o sol durante o dia, e descrevê-los na sua poesia; só os loucos, os poetas que se julgam donos delas... Mesmo sem tê-las. As ondas são as dunas do oceano, e as dunas são as ondas do deserto, as miragens desenhadas na areia, são iguais aquelas da maré cheia, quando o mar vem beijar os pés, daqueles que se aventuram a amar ali por perto.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014



Um Pingo de Suor.
J. Norinaldo.


No pingo de suor que desliza entre os teus seios, vejo refletir meus devaneios e os meus sonhos de amor, vejo num instante refletido no mais recôndito sentido o desejo que o tempo em mim forjou. Ah! Nessa visão tão efêmera, que tão ligeiro fenece, na verdade permanece como o caminho que segue o brilho da fantasia, como os versos de uma poesia que faz a vida um  sonhar. Ah! Até parece exagero, que num pingo de suor tão pequeno e tão ligeiro eu tanto possa ver,  sim minha querida, num instante pode se viver uma vida e antes de voltar ao pó, ver tudo, tudo numa simples  gota de suor, ou numa lágrima caída. Neste pingo de suor que ainda está entre os teus seios, como uma pequena estrela que reflete os olhos meus, eu vejo o céu, vejo o sol e vejo a vida, minha querida nesta gota de suor eu vejo Deus.

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sábado, 1 de fevereiro de 2014



Folha Morta.
J. Norinaldo.


E se de repente surge no grande espelho, alguém que  atiça teu imaginário, te mostrando uma folha morta que destoa a visão de tão belo cenário, como no mundo de que parte sois, a imensidão de um oceano e uma folha morta agora são dois. De uma cadeira a beira do mar, vês o sol refletido no espelho da vida maior que o mundo as vezes turbado por ondas confusas, como vozes difusas vindas do profundo. E uma folha morta tão diminuta, insulta a grandeza com a sua cor, como um grão de areia no imenso deserto que pode um dia ser descoberto e fazer parte do espelho que o homem criou. Ah! Como é linda essa calma e esse espelho deitado, refletindo no céu a luz das estrelas; ah! O que mais quero para ser feliz, se tenho  os olhos e bem posso vê-las? Ah! Não, nunca parei e pensei o quanto sou grande ou o quanto grande tu és, agora vejo a imensidão desse mar, que vem se arrastar e beijar os meus pés. Por que não fazer, como a folha caída, você é uma árvore cheia de folhas bela e florida, o que mais querer, levanta a cabeça e vai viver a vida.