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segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Ingratidão.

J. Norinaldo.


Cansado de caminhar por veredas,

Estreitas, escuras e solitárias,

As mesmas árvores, o mesmo chão,

O mesmo frio a umidade de um porão.

Pedi em minhas preces ao Criador,

Uma estrada larga, com muita luz e calor.


Agora me encontro perdido no deserto,

Nenhuma árvore, um pássaro uma flor.

O sol abrasante que queima até a alma,

Pergunto: Deus, que estou fazendo aqui?

Como Adão, reneguei o paraíso...

Estou sofrendo, por que não soube pedir.


Meu castigo, as miragens a minha frente,

Água corrente cristalina e muita sombra,

Um lindo bosque onde a vida é pungente,

Tão igual aquele em que caminhava com frescor.

Agora sinto que meu caminho é tão quente,

E que caminho? se não sei pra onde vou.


Cada um de nós tem uma cruz a carregar,

A minha é sempre mais pesada que a sua,

O meu poema sempre tem mais conteúdo

A minha estrela brilha mais do que a lua;

Sou um sábio que da verdade sabe tudo,

Na realidade... Sou uma farsa nua e crua



Vida e Ferrão.

J. Norinaldo.


As vezes me pergunto o que fiz,

Refazendo o caminho até agora,

Como um velho maribondo já sem asa,

Como uma formiga estranha sem ter casa,

Que perdeu o espaço pra voar,

E que agora, caminha por caminhar.


Se fui feliz, agora não lembro mais,

Faz tanto tempo se é que isto aconteceu,

Se fiz alguém sofrer já me esqueci,

Só que mais do eu ninguém sofreu.

Só tenho agora a estrada e a certeza...

Que a beleza dentro de mim já morreu.


As vezes para e olho a linha do horizonte,

Vejo o céu beijar a terra e sinto inveja,

Sinto voltar a ternura ao meu coração.

E o velho maribondo já sem asa,

A formiga tão estranha e sem casa...

Vê que uma vespa não é só, vida e ferrão.


Sentir inveja mesmo um vil sentimento,

Mostra que o amor também pode renascer,

E que a beleza não foi somente o começo,

E que mereço recomeçar de onde estou

E acreditar que ser feliz é só querer...

Pois a vida... não é nada sem amor.

domingo, 27 de novembro de 2011






Fuga.

J. Norinaldo.


Eu tenho medo de amar e de sofrer,

E assim vou vivendo sem amar,

Ou amando sem coragem de dizer,

Ou dizendo que amar não vale a pena;

Difamando a quem amo por prazer,

O que torna minha alma tão pequena.


Minha fuga tem um nome é covardia,

Que irradia uma áurea de terror,

Tênue ponte que constrói a hipocrisia,

Sobre o rio caudaloso do amor,

Na sublime cordilheira montanhosa,

Caprichosa coberta de verde e flor.


Se o meu medo não pesasse como pesa,

Se tão frágil não fosse a minha esperança,

Que se esgarça como nuvem de fumaça,

Cruzaria a ponte da hipocrisia facilmente,

Quando passa a esperança o amor passa...

Que cai da ponte e se afoga finalmente.


Nesta fuga gasto o tempo nesta vida,

Na covarde esperança de um vencido,

Na certeza de gritar ao mundo a esmo,

Escudado pelo muro do fracasso,

Jamais faça aquilo o que eu faço...

Viver vida fugindo de mim mesmo.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011



Um Simples Poema.
J. Norinaldo.

Por mais simples que seja seu poema,
Por mais simples que seja este meu,
Pode crer foi ditado pela alma,
Nossa mão apenas o escreveu,
Se alguém o seu desdenha por ser simples...
Pode ter certeza não fui eu.

Poesia o pão, que alimenta a alma,
Pelas veias da nossa sensibilidade,
Independendo da fonte de onde venha,
Quem é capaz de se mostrar indiferente,
Desconhece a beleza e a felicidade,
Atravessa um lindo bosque e enxerga apenas lenha.

A beleza da flor é tão efêmera,
Mas é o poema da terra para a vida,
Se durasse para sempre essa beleza,
E com certeza uma terra colorida,
Mas em cada botão que desabrocha...
Mostra o quão é poeta a natureza.

Se o seu poema não agrada ao mundo inteiro,
Tenha a certeza que agradará alguém,
Uma colcha de retalhos aquece a quem tem frio,
E sem o seu poema pode ter uma certeza,
O mundo ficará um pouco mais vazio,
Ser simples é ser belo, e belo é ter beleza.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011



O Velho Banco da Praça.

J. Norinaldo.


Lembra desse banco hoje tão corroído, era tão colorido quando tiramos aquele retrato, hoje amarelado proeza do tempo, e nós como o banco também enrugados, mas vimos as rugas chegando uma a uma, e o pincel do tempo nos pintando os cabelos, vem vamos tirar mais um retrato, antes que se acabem esses velhos modelos. Afinal esse banco testemunhou nosso primeiro beijo, ainda me lembro da tua face em rubor, sorrindo me disse ser excesso de Rouge, coisa que hoje não se fala mais. Na quermesse da praça e no carrossel, a maçã do amor e o algodão doce, para matar a saudade do primeiro beijo, e rever este banco por isto aqui te trouxe. Ainda lembro o vestido estampado de chita, e o laço de fita te enfeitando os cabelos, agora olho tudo e está tão diferente, apenas um lenço cobre o teu cabelo branco, o tempo levou nossa vitalidade como a ferrugem corrói o nosso velho banco.



Destino Cigano.

J. Norinaldo.


No dorso do vento cavalgo seguro,

Buscando o futuro depois do horizonte,

Desviando o monte como faz o rio,

Sem rastros que marquem o caminho de ida,

Na incerteza o desejo de preencher o vazio;

Que o passado me deu de presente na vida.


Quem cavalga o vento não tem direção,

Desconhece o destino aonde quer chegar,

Se desvia a montanha como faz o rio,

Não se abriga do sol, do frio ou da chuva;

Um cigano que a vida ensinou cavalgar...

E a tomar o vinho por que plantou a uva.


A cascata que canta a canção da natureza,

Forma a correnteza que depois vira rio,

Que como eu, cavalgando as campinas,

Como quem tem a sina do povo cigano;

Até que um dia deixe tudo para trás...

E deixe de ser rio e se torne oceano.


Comigo a história é bem diferente,

Não um rio corrente que chega ao mar,

Na busca do novo que está no futuro,

Com as crinas do vento apontando o passado;

Ao contrário do rio que vira oceano...

No final da cavalgada só me resta o escuro.

terça-feira, 22 de novembro de 2011



A Montanha.

J. Norinaldo.


As vezes olho a montanha e vejo que foi mais alta, não só por que eu cresci que esta altura faz falta, mas o aterro está subindo, e o belo está sumindo nas profundezas do lixo. Cantei tanto o mar azul hoje o vejo noutro tom, um verde escuro ou marrom, quem sabe um dia o Mar Negro não seja apenas nome. Tudo que o homem consome a terra dar de presente, como moeda corrente e o pão de cada dia, o mar a fonte da vida de beleza e fantasia, agoniza terra e mar e o fim já está perto, o mar virando deserto e deserto virando mar, mas o homem só tem pressa. Naquilo que lhe interessa, energia nuclear. Porém quem viver verá, onde vai dar tudo isso, da beira do precipício ninguém consegue voltar. Pobres dos passarinhos com ninhos feitos de plástico, nesse universo fantástico tudo vai se adaptando e o rebanho marchando em direção ao abismo, cantando o hino do conformismo cego pela heresia, velhos bezerros de ouro voltam a vida todo dia. Para o aterro do lixo se mandou todo lirismo, falar hoje em romantismo somente na poesia.