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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017





A Lua.
J. Norinaldo.


E a Lua se Pôs diante de nós, sem voz nos restou o pranto, tanto, que se transformou em lago, como um afago no colo da terra. E a Lua vendo-se no Lago desse nosso pranto salpicou o manto da noite com luz e a cada passo um rastro prateado no Lago salgo pelas nossas lágrimas. E a Noite se fez anfitriã da Lua, uma deusa nua a deslizar no lago, como um leve afago ao colo da terra. E na madrugada enquanto a terra descansa, essa lua mansa a dançar no Lago. E a Lua se Pôs diante de nós de beleza tanta, que o nosso pranto até formou um lago de singeleza santa. Como é bela a lua quando sobre a serra, com raios de prata a banhar a noite e o nosso lago, como um afago aos seios da terra.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017




Cisnes ou Patos.
J. Norinaldo.



Escrever ou Poetar é como deslisar  em um lago congelado, cercado de belos cisnes vendo seu reflexo no gelo como se fosse o espelho em que o Próprio Criador se viu; a pena é uma extensão da alma que com calma derramam sobre o papel todas estrelas do céu nunca deixando vazio. Escrever ou poetar, é como tagarelar num jardim para as flores, mesmo falando de dores, mágoas e sofrimento, sempre haverá um momento em que falamos de amores. Escrever ou poetar é como andar pelos matos, cercado de simples patos, canários ou sabiás, é olhar sempre a frente sem de repente esquecer quem vem atrás. Todos nós somos poetas com estilos diferentes, uns falam das flores outros da terra e sementes, outros de jardins e rosas, alguns de versos e prosas, ou de senões e somentes; a vida é um poema, cada um de nós é tema depende de como é vista; a vida é como um filme e você é o principal artista. Como seria essa vida e o mundo como será, se não houver sempre alguém a escrever ou Poetar? Como Será...

sábado, 24 de dezembro de 2016

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016




Semente Semente.
J. Norinaldo.



Somente a semente nascia, somente por somente um dia e flor e fruto para sempre, a semente da poesia. O fruto que alimenta a alma, acalma refresca e bem diz, a flor do jardim mais feliz, que esparge o perfume na terra, que limpa a sujeira da guerra, salpicando de polem a paz nas cartas  que o amor leva e trás, para trás de cada trincheira. Somente a semente do amor, e a mão de quem a plantou e soltou a Pomba da Paz, é como o mensageiro que traz, da trincheira alvissara e bem mais. Semente somente sem flor, é o jardim que ninguém plantou e portanto ninguém colherá, o perfume não se espalhará, sem jamais escolher fronteiras, perfumando o chão das trincheiras e perfumando as bandeiras, brancas em forma de paz. Semente somente nasceu, no Poema que Deus escreveu, no Jardim que mais floresceu, que é a terra em que você nasceu. Não deixe a semente ser somente semente, plante e colha poesia, seja feliz e sorria, sem nunca esquecer de primeiro, agradecer ao Maior Jardineiro, que este Jardim Lhe deu.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016



 
Minha Máscara, meu Escudo.
J. Norinaldo.

Ah! Essa minha máscara de palhaço tem a espessura de uma barricada, onde por detrás dela me escondo e escondo toda minha amargura. Posso te fazer sorrir, feliz jamais, pois não pode ninguém, dividir com alguém aquilo que nunca teve e nem tem. Por que sou palhaço? Quem me escolheu, a vida decerto não fui eu, mas de uma coisa sei, meu sorriso é falso, assim como a lágrima por vezes é apenas a tinta que escorreu. Certa vez em Paris, vendo a felicidade em abraços e sorrisos, olhei para meu chapéu de palhaço no chão e vi alguns pombos a catar migalhas de pão, que alguém atirara com essa intenção e me senti tão alegre por ver em algo tão simples um mar de ilusão. A vida pouco importa o meu sofrimento, por ter que fazer sorrir mas chorando por dentro. A vida importa a minha missão e enquanto gargalhadas entoam, como os pombos que voam, eu cato migalhas no chão. Não fosse essa máscara, que chamo de escudo, de um exército mudo sem orgulho ou brasão, algo que nunca quis, sob o céu de Paris catar migalhas no chão; ah! essa máscara amiga há quem a bem diga, por servir para fazer sorrir...Que triste ilusão.





Oh! Chuva Bem dita!
J. Norinaldo.

Oh! Chuva bem dita que chora na minha vidraça, não pedidndo abrigo, mas chorando comigo por tanta desgraça. Oh! Chuva tão límpida como pingentes de cristais, quando chegas a terra já não és mais; mesmo sendo lama fertilizas seu ventre e suas sementes, sacias a sede dos seres viventes trazendo os frutos que os alimenta. Hh! Chuva que lavas o sangue das chacinas, e as valas na guerra que se chamam tricheiras, oh! Água vendida, que custa a vida de quem não a paga; oh! Chuva bonita além de bem dita que a terra afaga. Oh! chva bem dita que enches os rios e os mares, que enfeita os pomares sem limites ou fronteiras; oh! chuva bem dita que até nos desertos, faz nascer palmeiras cílios dos oásis que sacia a sede do viajante solitário; oh! Chuva bem dita, que do dia para a noite mudas no mundo o cenário. Oh! chuva bem dita, eu penso sozinho, se me dás a uva para fazer o vinho, assim como a vida que existe num mangue, por ainda existe alguém que fala num rio de sangue. Oh! Chuva bem dita ora com lágrimas em minha vidraça; por favor cria em enchente e carrega para longe da terra toda desgraça.
 



Enquanto meu Barco Rugia.
J. Norinaldo.

Saudades de uma noite tão bela, em que a procela me ensinou o valor de viver, jogando meu barco como uma casca de noz, o trovão era a única voz que parecia ditar a lição, num cenário para muitos atroz, pela manhã a visão do plainar do albatroz, no voo ligeiro da fragata para nós, os retoques da tela da vida, como um quadro verde ainda escrito com a lição recebida. Imaginem quem foi o Comandante mais lembrado, na hora em que o mastro se nivelava as vagas e o barco rugia, assim como uma fera ferida, que enfrentava tudo pela vida, e era naquele momento, que a Ele elevávamos o pensamento; a Ele cuja mão nunca treme, a Ele confiamos o leme, e assim vencemos a procela, e pela manhã retocamos a tela, relembrando o antes, o durante e o após, no lindo voo do albatroz e da fragata comemorando a vida. Salve os homens do mar, que respeitam o Comandante Supremo, que sempre alcançará um remo, na hora em que for preciso remar. O mar assim como o deserto, ora plano ora cheio de subida e descida, onde o barco executa meneios, com as velas como porta seios, guarda os seios que amamentam a vida. Meus respeitos aos homens do mar, não só porque fui um deles um dia, hoje a onda que me alcança, é mansa como uma poesia; mesmo assim olhando para ela, me volta a lembrança a procela, enquanto meu barco rugia.

A foto um trabalho da amiga Valdete Matos de Cachoeirinha PE.