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domingo, 25 de setembro de 2016




Solidão.
J. Norinaldo.

O que me importa se ouço palavrões, se a felicidade vadiou entre os quarteirões, entrando sem bater pelos portões, sem se importar se eu lá estava... O que me importa os palavrões se não era o lugar onde eu morava? Se o corredor verde e encardido, de um filme incolor e sem sentido, o verde eu vira noutro filme colorido onde alguém caminha para o final, ao encontro de uma injeção letal, por um crime que não havia cometido. E a cada passo sem sentido, em direção a um final já conhecido, ao mostrar o solado da botina, num paço conseguido com esforço, de um pé ensopado de suor, como se fosse o fundo de  um poço. Infeliz condenado ainda moço, como um fosso que leva o esgoto as podridões mal consegue discernir os palavrões; jamais saberá que a felicidade vadiou entre os quarteirões, mas deixou de entrar em alguns portões, justamente onde ora estava; mostrando o solado da botina, em mais um espetáculo de rotina; neste corredor que já foi verde cintilante no final alguém espera vigilante, e espera na hora não tremer. Ah! Era um sonho e acordo para a realidade, olho e não vejo a felicidade, apenas vejo um enferrujado portão, que há muito não é visitado, a não ser pela velha  Solidão.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016




40 anos de Glória e Saudade.
J. Norinaldo.


Não! Não é suficiente ser forte, ser grande, Tampouco de aço é preciso bem mais. É necessário ter na cavidade do peito vibrando o tempo todo uma Ancora e dois Fuzis, o Brasão do Glorioso Corpo de Fuzileiros Navais para não cair de emoção com um encontro como este depois de 40 anos na Casa que nos abrigou. A emoção era quase palpável, nota-se em cada um o disfarce para não chorar, de volta a São Borja aproveitei a escuridão para liberar as lágrimas represadas durante este inesquecível encontro. Faltaram irmãos, pois ainda se não formamos um Grupamento, um Batalhão, um pelotão ou dois sempre dá para formar, pelotões de amor e saudade dos tempos áureos quando entrávamos pelo Portão a passos largos bem diferente de hoje, mas que não muda em nada , pois enquanto houver um Veterano de Pé, sempre haverá este amor ora mostrado. Muito obrigado a todos pela recepção a que tive direito, e pela sinceridade no abraço e saibam que a recíproca foi verdadeira; se por acaso não dei a atenção devida a alguns irmãos, foi porque me senti perdido no meio de pérolas raras, não sabendo ao certo qual admirar mais; porém meu sentimento estava coberto e alinhado e uniforme, ou seja, única forma, padrão, igual para todos. Um dia repleto de felicidade, que ficará na minha mente para sempre, e para sempre é muito tempo. Adssumus. Que Deus Esteja com Todos.





40 anos de Amor e Saudade.
J. Norinaldo




40 anos completos no próximo domingo se passaram desde que os Fuzileiros Navais  se despediram de Uruguaiana, deixando aqui uma herança real, além da casa que por muito tempo abrigou não um Quartel, mas uma verdadeira família que realmente descende da Realeza do Brasil; e mais aqui deixou seus Veteranos, representantes legais de um legado que jamais Uruguaiana esquecerá; os Fuzileiros Navais. Uma tropa de Elite que aqui deixou sua marca, nos rastros dos seus coturnos ou nos seus gritos de guerra em seus garbosos perfis; nos filhos que daqui levou para conhecerem o mundo, e os devolveu mais amorosos que nunca com a Pátria em que nasceram. Hoje restam as saudades dos tempos áureos da vida, daqueles que já partira; daqueles que tem na frente da sua tumba a Ancora e o Fuzil, brilhantes como o ouro, sabemos que seu tesou foi defender o Brasil. Hoje em Uruguaiana como o céu está em festa, em cada abraço amigo, soa um grito conhecido pelo qual sempre nos guiamos: Ad-ssumus. Ou Aqui Estamos! E assim sempre será, pois ninguém foi Fuzileiro, e sim sempre será. Poderia muito bem aqui escrever os nomes que me lembro daqueles que já partiram, hoje não dá, não é dia de chorar, portanto vamos lembra-los como se aqui estivessem, e acreditem estão; porque Deus é Bom o tempo todo, O tempo todo Deus é Bom. Servi em outros Grupamentos, dois Batalhões e outra OM, mas seria inútil negar, que uma verdadeira família conheci neste lugar, bem na esquina que ia para Vila, ficava minha Seção, nossa querida PXL a mais unida Estação, aos CNS ai presente um  73/ODU e aqueles que estão ausente também. Eu compus quiçá uma canção ainda não musicada que lembro começa assim: “Veteranos Fuzileiros a Pátria sabe onde estamos nosso Pavilhão tremula ao vento que vem do Mar”. É verdade, se hoje já não vamos a alto Mar, o Mar vem até a nós através do pensamento, das lembranças de momentos que jamais serão esquecidos até quando chegar o desembarque final ai veremos todos esses momentos felizes, não só em Marataízes em Vieques ou coisa assim, quando novamente irmanados, marcharemos lado a lado cantando um Hino de Glória e povoando a História de um Brasil tão amado. Tenho guardado comigo ainda uma lembrança, uma velha e puída camisa que lembra o tempo da elegância que desfilava nesta cidade, pois além do dever havia a vaidade que também não era esquecida. Não vamos cantar parabéns, pois hoje lembramos uma partida, como alguém que se foi e não mais voltou, isto são coisas da vida, porém jamais será  esquecida a Casa por mim a mostrada, pois aqueles que por ela foram acolhidos vem hoje reconhecidos relembrar o seu passado. “Grupamento, Agrupamento, que agrupastes tanto amor o tempo vai e o tempo vem, tu jamais serás tapera, pois estarás para sempre no Coração de Alguém.” Quando partiste daqui tenho certeza que ninguém comemorou, fui do último contingente, e sei que muita gente chorou. Queria pedir a todos que estão neste dia presentes nesse encontro grandioso que na hora do abraço ao invés de um sejam dois, um dedicado aqueles que com certeza não estarão ai de corpo presente, mas nunca saíram e nem sairão de vossos corações; tenho a certeza que cada um sentirá no segundo abraço a presença de todos eles. ADSSUMUS! E que Deus Esteja convosco e com aqueles a quem amam, hoje e sempre. 40 Anos, e me parece que foi ontem...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016




O Cheiro das flores.
J. Norinaldo.




Trôpegos, hilários ébrios loucos, que aos poucos povoam este planeta, sôfregos, sofredores ansiosos; preguiçosos na arte do saber, buscando no fácil a sapiência sobrepujando simplesmente a inteligência; como um portal descartado no porvir. Zumbis que a vida não despreza, mas que não pesa na balança aferida, pois não reza nenhuma prece preferida, daquele que prega humanidade, vestido de ouro e vaidade e não tem o céu como limite. E quem zomba da poeira da estrada, cheirando o pó que dela nasce em forma de folha ou de flor, são os trôpegos, hilários, ébrios loucos, que aos poucos trocam o mundo real por pesadelos, e que nem o desprezo mais quer vê-los e a vida lhes dedica o desprezo mais profundo. Depois contam tristes seus pesadelos, e os transformam em forma de conselhos já sem créditos ou força no dizer, ou rezar sua prece preferida por ter buscado no falso prazer, um meio de fugir a própria vida. E no fim um cortejo conformado, segue aquele que em vida não se amou, portanto não deixa de herança amores, enfeitado por estranhas flores, diferentes das que em vida  cheirou.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016




Denúncias.
J. Norinaldo.



No auge da luxúria do desmando, com a mentira convicta no comando, quando o ônus da prova é o cargo que sem embargo vomita como voz, a nós simples mortais da poesia, cabe a denuncia não vazia e aceitar a verdade sem protesto, o resto o que for só ilação, que se coloque sob o tapete da razão e que o Juiz Maior de a sentença do aresto. Não cabe por fanatismo o Julgamento, sem a certeza só por convicção, enquanto sabemos que tantos delatados, pululam por ai sem punição; quem deve, deverá pagar  pelos seus erros, mas isto sem nenhuma distinção; ou a luxúria do desmando inundará com seu gozo esta Nação. Nação cuja história verdadeira, sem fronteira e sem bajulação, apesar do orgulho que nos causa, foi a última a abolir a escravidão; não vamos ter novamente pesadelos com corrente, e que corrente seja o sangue em nossas veias, e vamos replantar toda semente da Liberdade que tu Brasil, esperas e anseias. Não vibremos com um pano enfeitado, não queimemos jamais nossa Bandeira, não sujemos com nosso sangue a areia; Mantenhamos este Símbolo em nossos corações e cadeia para todos os ladrões, mas com provas e não convicções.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016




O Valor da Beleza.

J. Norinaldo.




Quem valoriza a beleza não necessita de espelho de elogio ou afago, basta uma sombra ou um lago, ou mesmo um muro coberto de musgo e limo, a beleza é como arrimo e ancora onde há valor, quem é belo e não se preza, despreza um dom que a si foi dado que não só o espelho revela; a beleza não se encontra no monturo e é vista até em um muro, sem brilho e onde até o musgo pesa.




NEW YORK MY LOVE.
J. Norinaldo




Olhando a imensidão desta bela cidade, tenho a impressão que a felicidade, é feita de aço e concreto; por certo estou errado, não pode  ferro e cimento depois de tudo empedrado virar sentimento. E esta bela Avenida, onde parece que a vida, passa para depois virar passado; por certo, eu estou errado. Vejo tantos arranha céu e pontes e vou deixando a vida me levar, só que a vida me leva hoje bem mais devagar do que levava antes, às vezes tenho a impressão de estar há muito parado, por isto mesmo confirmo que só posso está errado. E o Rio que corre manso, ao lado do imenso mar salgado, enfeitando sua manhã, conserva a mesma doçura,  provando-me  pouco a pouco, que nada sou além de um  louco, como foi  o louco de Khalil Gibran; que por coincidência também viveu aqui na Grande Maçã. Ainda é só um sonho e não realidade, quem sabe a felicidade, sempre esteve comigo sem eu perceber, que sonhar é o mesmo que ver sem ser preciso tocar. O mar é o mesmo mar, os rios todos são iguais e sabemos onde vão parar, meus sonhos seguem sempre para a Grande Maçã; será que sou o ladrão das Máscaras do Louco de Khalil Gibran? Eu sonho e se Deus quiser, em breve dentro de alguns dias, escrever para ti umas poesias, bem  ali na Times Square!