domingo, 7 de Fevereiro de 2010


Charles Bukowski, Minha Homenagem.
J. Norinaldo.

Charles Bukowski o poeta de si,
A quem ávida privou de sorrir,
Pois tinha o rosto todo rabiscado,
O triste poema que não escreveu,
Sua poesia obscena e malvada...
Valeu-lhe a alcunha de velho safado.

O feio engraçado que a vida pariu,
Que pintou com a borra da sobra da tinta,
Quando a razão, não lhe negava a pena,
Nos becos da vida nada serena,
Escrevia poemas como um louco que pinta.
Cantando os bordéis que a vida condena.

Poeta maldito e talvez de mau gosto,
Que trazia no rosto o mapa do inferno,
O velho safado das putas dos becos,
Do verso excrachado poeta do mal.
Mesmo assim seu nome pra mim é eterno...
Poeta é poeta e, portanto imortal.


Moscas felizes.
J. Norinaldo.

Num boteco escuro em qualquer beco,
Numa mesa quadrada um copo sujo,
Uma toalha ensebada pelo tempo,
Entre moscas felizes enferrujo,
A fétida bebida vou sorvendo,
Balançando como um velho marujo.

Entre o ranço do copo e da bebida,
A lembrança de algumas meretrizes,
De algum beco mais feliz iluminado,
Onde as moscas não se sentem tão felizes;
Onde os ratos não ficam tão a vontade,
E a humanidade lambe as suas cicatrizes.

Para os desenhos da toalha já nem ligo,
A opaca luz da velha lamparina acesa,
Vejo uma sombra que cruza a suja porta,
Que convido a sentar a minha mesa.
As moscas felizes eu morto a míngua...
Mas nem a sombra sabe falar minha língua.

Chaminé da Vida.
J. Norinaldo.

Vejo pela chaminé da minha vida,
Em fumaça esvair-se os sonhos meus,
Nuvens negras que se elevam nas alturas,
Em gravuras pinceladas pela lama,
Nas cinzentas manhãs de invernos longos,
Em úmidos porões chego a duvidar de Deus.

Na verdade vejo parte da estrada,
Sem pegada de quem já veio ou já foi,
Ouço vozes, mas não sei de onde vem,
Sinto passos, mas também não sei de quem;
Sinto o vento, mas não sei de onde sai,
Sinto a vida, mas não sei pra onde vai.

E assim vou seguindo a passos lentos,
Como as ondas que se embalam sobre o mar,
Sem saber de onde venho ou pra onde vou,
Um mensageiro que talvez ninguém mandou:
Com uma mensagem que não se pode decifrar...
Escrita a lágrimas que a própria vida borrou.



sábado, 6 de Fevereiro de 2010



Este meu singelo espaço, onde publico aquilo que adoro fazer, escrever, poesia, penso eu ser poesias, talvez nem sejam. Pois bem, este espaço como tudo nesta vida tem sua história. Este Blog não é brasileiro de nascimento, na verdade nasceu em Sobral do Monte Agraço, uma linda aldeia portuguesa. Lembro-me ainda quando sua parteira ensinava-me a postar imagens, e enquanto estas carregavam, aparecia escrito: “Suas imagens estão a carregar”.
Dos países que visitam ou já visitaram meu Blog, Portugal é disparado quem mais o vista, diariamente pelo menos um português me dá a alegria de visitar meu espaço. Por isto quero aqui agradecer ao povo português pelo carinho, e principalmente a uma portuguesa em especial: Sara Alessandra Levy Lima de Oliveira. Muito Obrigado.
Quero aqui fazer uma homenagem a esta mulher e a sua linda Aldeia:
Dedico o Meu humilde espaço com o mais fraterno abraço, a Sara e a Sobral do Monte Agraço.

O Brinquedo da Vida.
J. Norinaldo.

Um dia me trouxestes tantas esperanças,
Quando tão jovem as tinha perdido,
Fizestes-me viver lindos sonhos de amor,
Que tão cedo acabou quando fui esquecido.
Pra ti um brinquedo foi o meu sentimento...
E o arrependimento tão tarde chegou.

Não tive outro amor nos caminhos da vida,
Vivi de lembranças que o tempo não apagou,
Segui caminhando decorando o enredo,
E vi passar primaveras e invernos a fio,
Como folhas do outono navegam no rio,
A vida também me pegou por brinquedo.

Passei meus invernos catando os cavacos,
Das mágoas da vida para poder me aquecer,
Na cama gelada de um quarto tão frio,
Com dois travesseiros sem saber pra que.
A não ser para molhá-los chorando ao lembrar...
De quando dizias: não esqueças nunca: eu amo você.

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010


Deusa Morena.
J. Norinaldo.

Deusa mulher morena cor da tarde,
Quando em alarde de beleza o sol se põe,
Quando a lua transparente aparece,
E a sombra da montanha se expõe,
Como um céu salpicado de estrelas,
Ou a lua prateando as mansas ondas.

Tu és o retrato profano do desejo,
Teus lábios favos do mais puro mel,
Felizes são os olhos que te vêem,
Envolta numa brisa como véu.
A tua nudez não tem censura,
Levas a razão a ser loucura.

Morena pitonisa da luxuria,
Do prazer, da poesia e do amor.
Tu és do meu poema o lindo verso,
No meu jardim a mais bela flor,
No céu a estrela que mais brilha,
A mais bela paisagem do universo.


Deusa de Ébano.
J. Norinaldo.

Deusa do ébano violáceo da graúna,
Como a noite sem estrelas e sem luar,
Talvez por uma decisão dos deuses,
Que desejam somente te ver brilhar,
Teus contornos tuas curvas tão lascivas...
Leva as mentes mais passivas a pecar.

Nos teus olhos o ímpeto da pantera,
No teu corpo o poder da sedução,
No amor és como o fogo do desejo,
Representas a mais bela das orquídeas,
Mesmo cativa, cativavas a paixão...
Dos senhores que sonhavam com teu beijo.

Deusa negra beleza de um continente,
Tens a cor das pedras mais raras,
Que enfeitam as jóias mais caras,
Como o pelo das feras mais belas,
Os teus olhos são dois diamantes,
Na paixão és lava incandescente.