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quarta-feira, 13 de outubro de 2010



Aprendiz.
J. Norinaldo.

Perdoa-me pelo beijo insosso, eu não sei beijar,
Sempre beijei fantasmas, miragens ou ilusões,
Meus amores, sempre dizem o que quero ouvir,
Falo por mim e por eles quando em meus delírios,
Sempre recebo elogios por meus beijos loucos,
Aos poucos, vai te acostumando, eu não sei beijar.

Perdoa-me esse amor sem graça, eu não sei amar,
O amor, que conheço bem tem um lado só,
As vezes quando em silencio, estou distante muito feliz,
Sou um grande mestre do amor ilusório
Ao contrário no amor de fato, sou um aprendiz;
Por isto te peço perdoa-me, eu não sei amar.

Aao ver-te tão viva aqui na minha frente,
De repente querendo dar-me um beijo quente,
É tão natural que fique perdido sem nada entender,
Espero que entendas a falta de tato de um ser carente,
Cansado dos beijos com um só par de lábios...
Os sábios, dizem que não sabem, mas eu quero aprender.




segunda-feira, 11 de outubro de 2010


Imagem de Portugal.
J. Norinaldo.

Deixei que o meu pensamento,
Segurando a crina do vento
No cavalgar mais insano,
Fosse até uma branca aldeia,
Clara como a fina areia,
Lavada pelo o oceano.

E bem longe além do mar,
O céu e o luar por fundo,
Num belo cartão postal;
A imagem de Portugal,
Pequeno portal do mundo,
Para o poema universal.

Portugal das brancas velas,
Da cruz de Malta, da glória,
Pérola rara da Europa;
Como a copa da figueira,
Tu és no contar da história...
A história mais verdadeira.


Pássaro Cego.
J. Norinaldo.

Peneirar os sonhos destilar as lágrimas,
Decifrar palavras diluídas em dor,
Retirar o sal que traz sede a alma,
Transformar em mel do pólen do amor,
No engenho vivo sem roda vento...
No mais belo invento que o Pai criou.

Cegar os olhos do pássaro negro,
Para que seu canto fique bem mais triste,
Declamar os versos de um poeta louco,
Falando de um mundo que já não existe;
E assim o mundo também fica cego...
E o poeta escreve por que a alma insiste.

Peneirar os sonhos e coar as lágrimas
E matar a sede na ausência do sal,
Destilar o óleo que acende a candeia
Que mostra na vida a sombra do mal,
Da antiga caverna que Platão citou...
Ou do pássaro negro que o homem cegou.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010




Apenas Saudade.
J. Norinaldo.


Se a vida depende da sorte
A morte depende da vida,
Com sorte a morte demora
O destino da via é a sina,
Que a morte sisuda namora...
Enquanto o tempo constrói a ruína.

O velho que chora ante a morte,
Também chorou na maternidade,
Ao chegar ao mundo pra vida,
Sem saber que haveria partida,
Um dia para a eternidade,
Se tornando apenas saudade.

Sem conhecer a dor da ferida,
Chorando por formalidade,
Quando acha que conhece a vida,
Chega a dor da realidade,
E a hora da dor da partida...
Se tornando apenas saudade

Talvez saiba disto na chegada,
E por isto o choro primeiro,
Não se chega a uma festa chorando,
Quando se conhece a verdade,
Normal seria o choro derradeiro...
No último aceno pra virar saudade.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010




Gestação.
J. Norinaldo.


O vento que agita o espelho do lago,
E sopra a vela do barco sem rumo,
A lágrima que molha o lenço na partida,
O fruto que acolhe no âmago o sumo;
O orvalho roreja a flor na manhã...
A água presente a gestar a vida.

A cascata canta ao descer o monte,
Por baixo da ponte mais água a correr,
A fonte borbulha ao nascer o rio,
E em cada riacho artérias da vida,
Que a terra precisa pra sobreviver;
E a chuva que faz tanta vida crescer.

A terra sem água estéril seria,
Será que um dia ainda vai ser?
Se a mãe da vida secar de uma vez
Por insensatez de um descuido qualquer,
Se o homem esquece a origem da vida...
Poluindo a água e maltratando a mulher.

domingo, 3 de outubro de 2010



A Torre e a Vida.
J. Norinaldo.

Deito o olhar à imensidão,
Vejo um mundo construído,
O campo plantado e bem florido,
Vejo, e vejo e nada fiz;
Espero o campo ser colhido...
Espero o momento a ser feliz.

Da torre do castelo do vizinho,
Vejo a vida ser vivida lá embaixo,
Vejo a roda do moinho trabalhando,
Ouço os gritos de triunfo de alguém,
Vejo o caminho que vai seguindo o riacho...
E eu, parado nesta torre só olhando.

Fiquei tanto tempo nessa torre,
Olhando e lamentando minha sina,
Não tive tempo de plantar e de colher,
Vi a vida, mas esqueci de viver,
Hoje volto o olhar para mim mesmo...
E como a torre, não passo de uma ruína.

sábado, 2 de outubro de 2010

O Fardo do Feudo.
J. Norinaldo.

O sol para todos e a terra para alguns,
Que perdem de vista a terra por bem,
E o feudo por fardo da corrente e do nó,
Da prisão sem grades marcada a grampo,
Do homem do campo que terra não tem;
Que reza olhando para o teto maior.

Quem enterra a semente e faz a colheita,
Alimenta o planeta se alimenta mal,
E aos que esperam a semente colhida,
São donos da terra e também da vida;
E aos do teto maior só as pedras de sal.
E a terra tão grande não oferece saída.

O destino do homem que trabalha a terra,
E que luta na guerra na linha de frente,
Enfeitando o peito de alguém com medalhas,
Recebendo as migalhas, como presente
Para carregar os fardos dos feudos...
E viver como escravo sorrindo contente.