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terça-feira, 13 de setembro de 2011


Morena de Angola.

J. Norinaldo.


Dos brilhantes que adornam teu sorriso,

Neste mundo encantado de Afrodite,

Nenhum deles é mais raro que teus olhos,

Como outros que encantaram o Egito;

Os belos olhos da rainha Nefertite,

Como o deus sol que encantava o infinito.


Não importa a cor que tenha o manto,

Nem o mistério que se esconde na esfinge,

A beleza do castelo esta no todo;

A flor de Lótus só brota onde há lodo,

Teu sorriso mostra ao mundo uma verdade...

Que a cor, não revela, apenas tinge.


O meu país num exemplo de grandeza,

Entregou-te o que é teu por natureza,

O manto, o trono a coroa e o bastão,

Mostrando que em cada coração;

Existe um rei ou uma rainha da beleza,

Lembro Anastácia no tempo da escravidão.


Canta angola o teu canto de alegria,

Hoje o planeta volta os olhos para ti,

E as aves cantam a canção do paraíso,

Se já não tinhas mais motivos pra sorrir,

Diz ao mundo que a beleza não tem cor...

E com amor, também é teu este sorriso.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011


Como Posso?

J. Norinaldo.


Como posso ter lugar no coração para admirar a beleza de um flor enquanto busco no monturo por um pedaço de pão? Como posso me encantar com seu poema no jornal, enquanto busco minha filha que perdi para o mal? Como posso acreditar na esperança, se vi hoje uma criança roubando o pouco que eu tinha? Como posso acreditar nas escrituras que são lidas nas alturas do palco da hipocrisia? Por que Jerusalém é tão longe, por que a fala do monge eu não entendo tão bem? Quem foi que em sua sã consciência me trocou a inocência por esta falta de fé? Por que sonho que estou num castelo, tendo o quarto mais belo, dormindo embaixo da ponte? E vejo toda humanidade, na maior fraternidade, enquanto morro de sede, caído ao lado da fonte? Por que tanto ódio, por que tantos medos? Para que tantas Siglas e tantos segredos? Por que hoje falamos através dos dedos, sem vermos os olhos de quem nos escuta? Vejo gente morrendo por um pedaço de pano que algum tirano mandou desenhar por prazer, enquanto no fausto e no luxo manda matar que ousa lhe desobedecer.

Onde está a caneca de cicuta a mim destinada? eu quero beber e brindar a vitória, só não sei de que.

sábado, 10 de setembro de 2011


Nada.

J. Norinaldo.


Quem escreveu o meu destino,

Tinha uma letra caprichada,

Que não mudou e nem tremeu,

Quando em meu livro escreveu...

Que nesta vida eu não seria nada.


Que sábio que escreveu o meu destino,

Com aquela sua letra tão caprichada,

Porém só depois de crescido entendi;

O que quis dizer não seria nada...

Nada é nada e eu sou eu e estou aqui.


Quando alguém te disser: tu não és nada,

Não te ofendas, não chores, não fica triste,

Mesmo que o tom seja de um insulto;

Só em ouvi-lo tu já prova que existe,

E nada é nada, que não tem sequer um vulto.


Não sou nada, eu sou eu com muito orgulho,

De um pedregulho pode surgir um brilhante,

Quem escreveu o meu destino com a letra caprichada;

Sabia que nada é mais humilhante,

Que alguém, que se humilha por não ser nada.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011


Triste Bailado.

J. Norinaldo.


Danço a passos trôpegos de um bêbado,

Ao som dos guizos de uma cascavel,

Tendo como único teto o relento,

Como prova de que vivo o pensamento...

E a doçura de uma taça de fel.


Num bailado de espectros errantes,

Como as sombras da caverna de Platão,

E a peçonha da víbora maestrina,

E no passo da balé que a vida ensina,

A ver o monturo por tapete do salão.


E os guizos da serpente desafinam,

Enquanto a taça de veneno se derrama,

Apagando a fogueira da caverna;

No olhar da serpente a chama eterna...

A sombra brilha mais do que a chama.


E no bailado de espectros errantes,

Na caverna ou no salão do castelo,

Não importa se a taça é de cristal;

A sombra não difere na parede...

De um archote ou de um lindo castiçal.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011



Retirantes.

J. Norinaldo.


Quando o azeite das candeias se acabar,

Não houver mais atualização de vírus,

Será que o homem voltará para a caverna,

Abdicando de uma vida tão moderna,

Voltando, a escrever em papiros?


Será que um dia os abismos se nivelam,

E revelam a verdade sobre a vida,

Ou elo que se perdeu será achado?

Numa arca que naufragou no passado,

Com o mistério da chegada e da partida.


Quando os desertos forem maiores que o mar,

E os rios não tiverem mais onde chegar,

As chaminés tingindo de negro o céu;

E o véu da noite for mais longo que o dia,

O fogo morto não consiga mais queimar.


E como escreveria a história novamente?

Se recordar a vida que teve antes,

Já que tudo não foi mais que uma passagem,

Que mensagem deixaria aos que virão...

E que serão, somente os próximos retirantes.

terça-feira, 6 de setembro de 2011


A Agulha e o Bordado.

J. Norinaldo.


Se a agulha é o punhal que fere o pano,

O bordado é a chaga que lhe fica,

Para o sábio um pingo é uma letra,

Muitas letras o saber significa;

Se a agulha magnética mostra o norte,

A morte na verdade nada indica.


Se a montanha é um defeito da terra,

Não encerra o mistério da planície,

Da esfera esticada e sem buracos,

Se o perfume depende do alquimista;

O líquido dependerá de frascos,

Como as letras nas palavras escritas.


Se o amor é a terapia da vida,

Sem punhal ou bordado colorido,

O mistério da planície é explicado;

Como a esfera espichada ao cumprido,

Não existe um amor pela metade...

Na verdade nenhum amor bandido.


Na harmonia entre o vento e o perfume,

Não há ciúme de quem leva ou de quem é,

E não há rancor entre a agulha e o bordado,

Se o alquimista tira o perfume da flor,

E se o amor tem tudo a ver com fé...

Meu coração está bordado de amor.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011


O Silêncio do Escuro.

J. Norinaldo.


Quem falava a mesma língua se calou,

E o escuro tão temido se acendeu,

E o fruto já não nasce como antes,

O que o escuro escondia apareceu,

E os mudos agora são falantes,

A semente plantada não floresceu.


O troar do canhão ficou mais perto,

Mas o oásis do deserto resistiu,

A gordura da terra virou ouro,

É o tesouro do tirano que caiu;

E o mundo esperando nova guerra...

No preço da bolsa por barril.


É o homem explodindo a própria vida,

Na corrida da ganância e do poder,

Esmagando com os pés seu semelhante,

E o mudo vai falando sem saber...

Que o silencio também é importante,

E que a semente no paiol não vai nascer.


O turbante, a coroa ou o bastão,

Na mão do tirano é covardia,

Se a semente não brota no deserto,

E o troar do canhão está mais perto...

O crime compensando a cada dia,

O silencio do escuro é que está certo.