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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014



A  distancia.
J. Norinaldo.


Decidi me afastar de tudo que me machuca, chega de dor, de gemidos e tanta queixa, já me afastei do sol, da lua e da luz, pois de outro jeito minha sombra não me deixa; resolvi andar no meio do caminho, para não ver a flor eu nasce no aceiro, sentir o cheiro do fruto que madurou, deixar meus rastros sem as marcas do grilhões; seguir sozinho deixando meus pensamentos serem levados pelos ventos dos senões. Estou decidido a sofrer sempre calado só do cajado ainda não me afastei, nem dispensei a minha sorte tão tacanha, que indiferente assim como a minha sombra, se afasta sempre ao ver a sombra da montanha. Decidi não levar nada comigo, único bem que quero   é o pensamento e a saudade, que na verdade não passam de fantasia, aceito, o pensamento, a saudade mas sem palpite, quando  num rasgo de bondade a dor permite, que eu escreva no chão uma poesia. Já descobri que o meu caso é loucura, não tem cura e que estou caminhando a esmo, pois posso me afastar de tudo em fim, mas não consigo me afastar de mim mesmo.

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domingo, 16 de fevereiro de 2014



Primeira Vez do Amor.
J. Norinaldo.



Ainda resta algum licor na fina taça, que a onda passa e vai levando devagar, saboreando o batom dos lábios teus e sorvendo o vinho aos poucos, como se roubasse os beijos loucos que fugiram dos lábios meus. No embalo das ondas dança o cálice, manchando de carmim a branca areia, como a mostrar a maré cheia, a marca do primeiro amor no ápice. Pela manhã ensolarada a taça reflete os raios do sol brilhante, e  a maré já se encontra bem distante, já não há manchas e restos de licor, só na areia as marcas testemunhas de um amor, sem vestígios que o mar participou, bebeu do vinho e do teu batom provou. É apenas uma taça esquecida, mas tua taça que transbordou com o vinho da vida, e outra vida certamente nascerá. Ainda resta algum licor na fina taça, quem ali passa ficará sem entender, que numa noite ali se fez uma vida, que a mancha rubra na areia aquecida, não foi o resto de licor, mas o sinete, a marca do primeiro amor.

sábado, 15 de fevereiro de 2014



Meu Barco de Lua.
J. Norinaldo.


A lua caiu no rio se fez um barco e navegou, e nele embarquei meus sonhos e também me fiz de navegador, com a força do pensamento usei o vento da imaginação, do manto da noite fiz duas  velas  como as caravelas que conheci, singrei os mares da fantasia e quantas procelas venci, em uma só noite até chegar o dia vi a poesia que sempre sonhei, mas nunca cheguei a conhecer seu fim, a doce visão de uma linda mulher correndo com os braços abertos em direção a mim; acordava antes do encontro final, sem ver o seu rosto, como se uma onda viesse esconde-lo, tornando meu belo sonho num pesadelo que me fazia tanto mal; agora no barco de lua tu me chegas nua numa nuvem linda, e para nossa felicidade a noite num sonho é uma eternidade e o meu beijo dura até que a noite finda. E segue o barco com a proa empinada com peso do amor, e nós no beijo mais louco de felicidade  achando pouco a eternidade.


A Espada de Brinquedo,
J. Norinaldo.



Se a vida te ensina a brincar de morte, felicito-te  tens sorte, por  pode brincar, se o cabo da espada é uma cruz, lembra-te dos braços aberto de Jesus, onde ora tua mão está; lembra-te no ápice do golpe de seguir com o olhar bem lá no tope, assim como fazes ao orar, e vês se a tua vitima calada pelo medo, não é o mesmo de braços abertos no cabo da tua espada, seja ela de verdade ou de brinquedo. Se a vida te ensina a fazer a espada, a cruz encimada do cabo já existia, a mão que a guarnece com firmeza, foi a mesma que um dia cravejou com destreza, os punhos de Quem hoje é poesia. Se a vida um dia vai e tu não ficas, por que tem marcas contra ela na espada, não é só a Jesus que crucificas, mas cada um que deixas caído no pó da estrada. Não é preciso  pregar com cravos numa cruz, como um dia já foi feito com Jesus, uma dívida que jamais poderá ser paga, cada golpe desta tua espada, abre Nele com certeza outra chaga. Se a vida te ensina a brincar com a morte, talvez para que descubras tu o segredo, que ela é a única certeza verdadeira, a única espada que é certeira, de verdade ou de brinquedo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014


A Vida e o Caminho.
J. Norinaldo.


A própria vida às vezes te abre os olhos, para mostrar que o horizonte está mais perto, e que o lindo  caminho florido em que passavas, com tanta gente hoje em dia está deserto. A própria vida te avisa sem alarde,  que nunca é tarde para florir novo caminho, e a vida ainda te ensina mais, que se as flores tu plantas com carinho, o único jardineiro não serás. A sombra de uma árvore sem flores não difere de outra árvore florida, assim como o caminho solitário, as flores embelezam o cenário, muitas vezes num caminho só de ida. A Vida às vezes te pede calma, e bate palma te aplaudindo satisfeita; mesmo quando tu te sentes tão sozinho, como as flores do teu antigo caminho; a vida sabe que para ti foi eleita. Olha o imenso até a linha do horizonte, olha o sol por trás do monte e ouve a fonte a chorar, sente o vento embalando o passarinho, que constrói o próprio ninho e está sempre a cantar, vê o sol que está no mar e no deserto, e mesmo a linha do horizonte estando perto de você, faz um esforço pois ainda podes ver, ergue a cabeça segue teu caminho se a própria te convida pra dançar, dança com ela e ... Vai viver.


O Barco e o Balanço do Mar.
J. Norinaldo.



Este balanço, este barco e este mar, não me perguntem aonde vai dá, pois eu não sei, agora o que posso te dizer com uma certeza é que de toda essa beleza eu desfruto e desfrutei, me embalando no balanço com o vento, navegando no barco e no pensamento por este mar sentindo o prazer do vento a embalar, o barco, o balanço e o mar, em fim que vive a embalar a vida. Quem fez este balaço eu te digo, foi um amigo que já não se embala mais, plantou a árvore fez o barco e navegou e se encantou com esse espelho de cristal, viveu, amou, mas um dia foi embora, deixando a sombra no mundo que é seu quintal. A madeira do balanço já foi vida, e balançava sempre ao sabor do vento, já serviu de morada ao passarinho já amparou alguma alma esbaforida; hoje se embala também ao sabor do vento, escutando calada algum pensamento, de alguém que ao mar, vem algum pecado confessar. Ah! Se este banco, este barco este mar, gravassem tudo o que viram e ouviram por aqui, e te mostrasse, com certeza... Você iria chorar de tanto ri.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014



A Dança da Chuva.
J. Norinaldo.



A dança da chuva, a dança na chuva, o peso do pão e gosto da uva, o fogo da vela que com a sombra revela o rude da vida. A dança da vida no baile da morte como o boi de corte na estrada comprida. A chuva que dança entre a uva nascida, o trigo do pão que alimenta a vida, o fogo da vela o calor e a luz e a morte reluz pela brecha escondida. A dança do vinho na colheita da uva a dança da chuva quando a semente é plantada, a morte a espreita na festa do vinho, do fogo da vela e do boi de corte e da estrada comprida; a dança da chuva, a dança na chuva, o vinho a uva a vela e a vida, e a morte a espreita a festa do vinho, que tem um rosário de contas contadas, e na boca da taça que canta com o vento a valsa encantada da dança  dançada, da chuva, da uva do vinho ou do nada...