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sábado, 20 de junho de 2015


O Que é o Amor?
J. Norinaldo


O amor é o sentimento mais sujo, mais hipócrita e mais sem caráter, o ódio é bem mais puro porque é sincero.  Ser bem entendido é o que espero. Um menino e uma menina se conhecem na infância, quando ainda sequer sabem  o que é amor, mas como o mundo gira eles vão crescendo e aprendendo o que tem de aprender, o menino descobre que ama a menina, assim  que entende o é amor, se sente feliz porque é bem mais fácil já brincam juntos quanto tempo faz, acaba-se a paz ao saber que a menina hoje não pequenina que com ele brincava, encontrou na esquina o que tanto buscava, numa troca de olhar uma conversa na sombra, um eu te amo tu me ama e em pouco tempo se entendem na cama. É uma questão de química, amor a primeira vista e  o menino conquista sua primeira derrota, e dai o ódio brota com poderosas raízes, e quanto mais felizes forem os escolhidos, correndo na praia em abraços e beijos transbordando desejo como  as ondas na areia, no outro o ódio cresce como a lua cheia. Para cada casal feliz, existem centenas sofrendo de dor, para não ficar sozinho o menino da história à outra igual a ele  se juntou, lhe maltrata e como um cão lhe trata por causa do antigo amor, quem é maltratada nem sabe quem é, se o amor fosse bom, belo como uma  flor decerto não seria “O” e sim “A” amor, assim como candura, ternura, não seria uma competição com troféu e pódio, neste caso a menina é o amor e  o menino o ódio. Como disse no início ser entendido espero, pois é muito importante saber que  o amor é uma incógnita porém o ódio é uma constante; um falso e o outro  sincero.



Todo Caminho tem um Fim.
J. Norinaldo.


Achar o caminho até uma pequena criança, ensaiar uma dança qualquer um faz no inicio da estrada, difícil é chegar ao fim e sentir-se realizada; não querer voltar mais porque fez tudo certo, e deixou frutos suficientes para quem vem atrás. Por pior o caminho mesmo assim vale a pena, para esta pequena vale a pena não existe, se alguém está triste ela ignora, porque ela chora quando isto acontece; mas quando se cresce chorar não resolve, o mundo condena a vida absolve. Por quantos caminhos eu também já andei, já dancei e pulei imitei passarinho, porém hoje que o caminho para trás é bem mais comprido eu já não danço mais e quando olho para trás meu desejo é voltar e outra vez começar mesmo sem lembrar os passos da dança como esta criança que estou a mostrar. Como é lindo correr pular e dançar imitar passarinho sem temer ser ridículo, quem não sabe sequer o que é valer a pena, tem alma serena solta no universo e não num cubículo. A estrada é linda até certa altura, com o encanto das fores e as frutas maduras, do meio em diante que ninguém sabe onde é, quando já se pensa noutra função das flores, no fechar das cortinas disfarçar maus odores antes quando a estrada termina. Ah! Como seria bom ficar nesta parte do caminho onde está a menina pequena, dançando feliz sem se preocupar se é lindo o seu dançar ou o que é valer a pena.


quarta-feira, 17 de junho de 2015






Poesia e loucura ocupam a mesma Senzala.
J. Norinaldo



A minha poesia está de luto, e bem-dito seja o fruto de quem a enlutou, em verdade o que digo é uma grande heresia, pois quem me disse não, disse para mim e não para minha poesia; pedir perdão eu devo, afinal escrevo sem dizer o nome dela; enganei-me, nada mais era que utopia, quando ela disse que me amava, amava, mas era a minha poesia. Nem por isto vou amaldiçoar o que não posso recusar escrever o que a minha alma manda, mesmo que por outros caminhos ela anda um poeta não é dono de si e o que a alma decidir, sem pensar ou ponderar tem que cumprir. Pobres poetas loucos, que se apaixonam aos poucos pelas suas musas e divas sem saber que suas poesias delas jamais serão cativas e são livres como gaivotas no ar, como os peixes no mar. Tristes poetas loucos que morrem aos poucos ao final de um poema cujo tema fala somente de si, mas terá que dividir com milhões de outros loucos que também querem expressar a sua dor, pela falta de um amor, mas a sua alma cala por não ter o dom da alquimia das palavras a poesia e o coração faz do peito uma senzala. Felizes mesmo são os loucos  que não sabem poetar, pois fazem justamente u inverso, não choram como poetas em versos sem coragem do nome da amada versejar, são livres, livres como as gaivotas no ar, como os peixes no mar. Como se chama o modo que um louco ama, haveria um louco amor, que independesse de dor, de sofrimento e adeus e separação? Não! Eu acredito que não! Louco ou são cada um tem no peito um coração e uma voz que não cala; pode dizer eu te amo, num hospício, num castelo ou até mesmo acorrentado na senzala.

terça-feira, 16 de junho de 2015




A Peneira e a vida a ovelha e o Dingo.
J. Norinaldo



Vamos peneirar o todo e separar o nada que de tudo sobra, e num frasco pequeno colher o veneno de uma peçonhenta cobra; se nos pequenos frascos estão os raros perfumes, nos pequenos amores,  é onde se escondem os grandes ciúmes. Vamos fazer a colheita e separar o joio para longe do trigo, tirar do meio dos cascalhos um belo diamante como se faz com um grande amigo. Vamos sonhar acordados dormindo sonhados numa manhã de domingo, vamos tentar ter certeza que tanto há beleza num cão ou num dingo. Vamos peneirar a vida e na poeira perdida deixar ir-se o mal, mas levar o rebanho para tomar banho e depois ao curral; vamos escrever um ver ao nosso maior inimigo mortal, e quiçá se torne um amigo por saber que um verso nunca fará mal. Vamos cantar e sorrir sempre sem fingir ou representar, fazer da vida um palco, e mostrar que o amor é mais bela cena, e jamais deixar que alguém transforme este palco em arena. Não vamos perder tempo, com futilidades ou com  ato covarde; pois assim corremos o risco de chegar no teatro... quando já for tarde

segunda-feira, 15 de junho de 2015



Mal me quer.
J. Norinaldo




Quando na madrugada fria a insana insônia bate, não existe marinheiro que  este nó desate, pois a dor faz o laço e a solidão o arremate.  Somente o travesseiro amigo entende e se estende colado ao rosto úmido como a massagear o peito túmido onde um coração disparado parece repetir; quero fugir! Quero fugir! O frio da noite gela a alma e acalma o calor de uma paixão, que ora ressoa em outro colchão depois de ter o corpo satisfeito. E manhã custa a chegar, até p primeiro pássaro cantar e o primeiro raio de sol nalguma fresta, como um archote de uma  numa festa que houve noutra cama, noutro lugar, com quem o frio vem me lembrar-me com desvelo que ao meu lado o frio gelo está no lugar de que está bem aquecida, porém em outro lugar. Como a madrugada fria é triste, e como a noite custa a retirar seu véu, quando a insônia louca insana ainda te ser uma taça de fel; E saber que quem dorme satisfeita, nem sabe que é quem aperta o laço, que sufoca um molambo um bagaço, que até sem saber esbagaçou; quão dura fria e cruel e a vida e noite com seu véu, para uns, para outros... Puro mel. Ah! Agora é madrugada, meu temor é dormir e sonhar que sou feliz e que o meu coração agora diz  repetindo várias vezes feliz: quero voltar! Quero voltar! Mesmo num sonho passageiro que desse para secar o travesseiro, mesmo que não desate o nó, mas por dor o afrouxe e me deixe respirar. Madrugada insônia estrada, nos aceiros espinhos pedras e fossos, e este nó no meu pescoço que tem nome de mulher, ou de uma flor que se chama mal me quer.

domingo, 7 de junho de 2015




Volta e vai viver a vida. Esta vale a pena ser Vivida.
J. Norinaldo

Caminhando em direção ao sol, sentindo o frescor do mar enquanto ocorre o ocaso e o oceano é raso vejo o mundo como um sonho e me interponho entre o sol e a lua, a noite inteiramente nua sentindo no corpo a brisa, sem pudor e  sem censura numa cena que precisa ser vista e ser  guardada. Tantas com medo de olhar para trás e ver o mundo não sonhado, continuam caminhando, Virginia Woolf  seguiu este belo sol como seu próprio farol abdicando da vida. Numa cena tão intensa, o que será que pensa quando se está transtornado. Passo a passo sozinho e caldo seguir sem olhar para trás, sabendo que não volta mais o que pensará? No outro dia, outro sol nascerá e se porá, e este alguém, já não verá mais o ocaso, já é como velho vaso quem alguém o enterrou. Como entender a humanidade, como posso  amar alguém se me odeio a este ponto, de num cenário tão belo assim  ir caminhando para a morte demonstrando ódio por mim, o pior sentimento que alguém tem, porque por amor a alguém isto jamais ocorrerá. O sol  seguirá no seu ocaso, como uma rosa no mais belo vaso para quem continuar viver quiser. A vida é bela e o sol mais belo ainda, vai  o sol e vem a lua linda o que que a humanidade mais quer quer?



Sentado a beira de um abismo muito profundo, quase da altura do mundo, vendo as nuvens bem abaixo dos meus pés que as vezes demonstram alguma alegria ao se balançarem como numa triste dança de despedida, da vida, que vida?  De  longe o vento traz o som de uma triste melodia, a reconheço,” El condor Passa”, que se alterna ao sabor do vento, quem naquela imensa solidão vem tocar sua flauta com tanta maestria, a paisagem uma verdadeira poesia, altura, ar puro, frio e vazio; um enorme vazio; quando as nuvens abaixo dos meus pés que ainda dançam, ou simplesmente se balançam se dissipam, posso ver a altura, a alvura das nuvens que passam e que  se vão, para onde não sei. De repente avisto ao longe uma mancha escura que se meche entre as nuvens brancas, prendo minha atenção aquilo que parece crescer, e cresce e aparece, é um belo condor que passa, como se ouvisse a flauta distante, naquele instante eu me lembro porque estou ali, e penso, quantos gostaria de um dia poder ver o que agora vejo e o meu único desejo  é num pequeno impulso me atirar daqui. Estará feliz o flautista, ou também balança as pés pensando em seguir o condor que canta, mas sabendo que sem asas não haverá controle e o destino será o meu. E de repente me vem a cabeça o motivo de tanta amargura onde estará neste momento? Quem sambe rido ou dançando de verdade, em plena felicidade enquanto eu aqui triste pensando em dar fim a uma vida, que poderia muito bem ser bem vivida com outra toda essa beleza namorando. Isto mesmo, não me matarei a esmo, descerei a montanha agora mesmo, procurarei quem tão bem executa esta canção, trarei aqui alguém que escolher meu coração e viveremos estes momentos mais felizes, agradecendo Adeus por permiti-lo, por pintar uma tela tão suprema, como as estrofes do mais belo poema que um poeta na terra escreveu. Consegui encontrar a flautista cancioneira, que continuava a tocar  a mesma cancão do início, sentada  também a beira do precipício, tocava e chorava ao mesmo tempo, enquanto balançava os pés e tudo tornou-se a mais bela  poesia, pois descobrimos neste exato   momento o que Deus quis dizer com altruísmo, era por ela que eu chorava de um lado do penhasco  e por mim que logo ela do outro lado   se atiraria no abismo.