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quinta-feira, 30 de outubro de 2014



O guarda chuva
J. Norinaldo.



Esqueci meu guarda chuva enquanto a neve caia, pois não sei para que servia, já não me lembrava mais. Mas, lembro que brinquei naquele quando ainda era menino, fiz um boneco de neve que mesmo feio sorria. Hoje meninos não brincam mais, não andam de mãos com os pais como eu sempre fazia; lá está o meu guarda chuva, açoitado pelo vento e eu forço o pensamento para saber pra que servia. Ah! Quanto tempo se passou, de quando eu aqui brincava, fazendo da alegria bonecos que mesmo feio sorria; hoje esqueço o guarda chuva e até pra que servia. Hoje já não tenho mais amigo, ninguém quer brincar comigo e nem boneco sei fazer, e para que se já não á alegria e eu nem sei pra que servia o guarda chuva esquecido; e o banco todo coberto de gelo parece que estou a velo no tempo das brincadeiras, a passos lentos remoendo os pensamentos sigo o sol que me guia, vez por outra me volta o velho desejo, olho e ainda vejo, o meu velho guarda chuva, só não sei pra que servia. Vale a pena chegar tão longe na vida, uma estrada tão comprida e terminar sem se lembrar do que viu; vale a pena ter na vida um guarda chuva sem saber pra que serviu? Afinal o que é valer a pena? A não ser a pena que eu escrevia bilhetes de amor a quem amava, quando ainda me lembrava para que o amor servia.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014



Amor e ódio.
J. Norinaldo.


Amo a terra que me acolhe, o fruto que se colhe com doce do mel, amo o sol e as estrelas, a montanha e mata o oceano e o céu, amo o irmão que não conheço aquele que não mereço em fim amo meu irmão. Odeio aquele que destrói a terra, aquele que faz a guerra sem nenhuma precisão; somente em pensar eu estremeço ter que matar meu irmão que mereço ou não mereço. Amo as flores na primavera, no outono ou no verão, amo as flor que nasce entre pedras num pedacinho de chão. Amo esse chão que é meu caminho, quando por ele sozinho amo até a solidão, que me faz pensar em tudo que fiz, ou deixei de ser feliz por uma desilusão.

Odeio, o ódio e a maldade, a inveja a falsidade que na vida nos rodeia, amo ver a onda rastejante, quem vem beijar os meus pés na hora da maré cheia, amo saber que a vida é tão bela e que Deus me deixou nela como um eterno aprendiz; amo ter aprendido tão cedo que a pior desgraça é dizer: “Um dia já fui Feliz”. Amo dizer com todo fervor que o meu maior  amor e a minha devoção, é para o Deus que me criou e tanta beleza deixou para minha satisfação. Amo e odeio, sei que é feio, mas é a pura verdade, quem por rancor ou falsidade faz a guerra por maldade ou destrói um amor uma amizade; não merece viver na terra que canto, cheia de flor e encanto que o Grande Pai nos Legou.

terça-feira, 28 de outubro de 2014


A Cruz e a Espada.

J. Norinaldo.






O Cabo da espada é uma Cruz, por vezes de ouro cravejado de brilhante,  a espada é símbolo do belo  jovem infante, que para se prepara  para a guerra, ninguém se lembra que Jesus, foi prega numa Cruz, sendo o melhor filho da Terra. Na batalha enquanto se ouve o aço tinir, ninguém vê as Valquírias no espaço, cavalgando seus ginetes alados, apontando quem deve cair. Quem exibe um cruz de ouro sobre o peito, como enfeito ou  adorno qualquer, ou como um símbolo de fé, usando gravata ou armadura, a Cruz é um objeto de tortura e só não sabe quem não quer. A cruz é uma encruzilhada, para uns não significa nada, para outros o caminho a seguir, com uma cruz de ferro o guerreiro é condecorado, e se torna importante por mais inimigo ter matado, seu irmão seu semelhante. Por que me fazem beijar a cruz, ou me ajoelhar diante dela, se for o cabo de uma espada, marcada, mesmo de ouro e craveja, não seria uma cópia da mesma Cruz, em quem dia pregaram Jesus, sem pecado e sem de mal fazer nada. Muitos que carregam uma cruz no pescoço, numa corrente de ouro com um Cristo de brilhante, esquece que isto é um mistério, que este fica deslizando entre os seios da amante, enquanto comete adultério.



A Folor do Mandacaru.
J. norinaldo.


A flor do mandacaru e o belo pássaro colorido, que podia ter fugido da seca mas não fugiu, preferiu ficar na terra onde Deus lhes fez nascer, quem sabe por merecer tal destino  se tão belo e colorido, além de ser destemido como todo nordestino. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá, Assunto preto Sabiá ou o galo de campina, pintassilgo ou canário, mesmo num triste cenário não esquecem de cantar. Patativa e Coleirinho e o Xexéu de  bananeira, o ferreiro ou o canção, alegram nosso sertão com seu canto verdadeiro. Patativa do Assaré escreveu grande partida, é uma moda comprida, que fala de migração, assim como a Asa Branca que compôs o Gonzagão, dois nomes que tanto orgulham nossa terra, Patativa não partiu, morreu no seu pé de Serra. O meu orgulho é tão grande, maior que o meu nordeste, do que o mar e o céu, nunca neguei que meu poema será sempre foi uma cria do Cordel. Nascido em Cachoeirinha na beira do Rio Uma, Escutando Luiz Gonzaga e Ariano Suassuna, o poeta nordestino tem o verso parecido. Como a flor do mandacaru e o pássaro colorido, pode ser sofisticado, com linguajar refinado sofisticado e belo, mas ama uma embolada um repente e um martelo agalopado.



Uma Noite em Andaluzia.
J. norinaldo



Um dia em Andaluzia eu encontrei uma linda espanhola, que  dançou com uma castanhola e cantou para mim uma linda canção a beira do mar, tão distante eu estava do lar na verdade não sabia bem onde estava; mas aquela cena foi tão marcante que por mais distante que eu me encontrasse e se pudesse  fazer com que o tempo parasse, parado ali ficava para sempre. Era uma cigana de cabelos longos, negros como uma noite quando se anuncia uma tempestade em alto mar, o brilho do olhar que minha mente jamais esquece, era como m próprio mar depois que a tempestade cesse. Nunca mais voltei a Andaluzia, às vezes sozinho a beira do mar, hoje que já não navego mais, o vento me traz aquela lembrança, e já sem esperança de ver novamente, a cigana linda que tenho na mente, faço um grande esforço para aquele momento jamais  esquecê-lo, isto para mim é um constante pesadelo que revivo sempre a beira do mar. Sinto saudade até das procelas, quando o mar raivosos rasgava nossas velas e durante dias ficávamos a deriva, mas não esqueço nuca aquela espanhola e nem sei ao menos se ao menos se ainda é viva.  Vez por outra a sua imagem da minha mente some, eu sinto um terror e uma dor imensa que me consome;  passei minha na beira do, na do beira a esperar por quem , sei o seu nome.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014



Rei Morto.
J.Norinaldo.



O Império ruiu, o rei fugiu e deixou o trono, o seu novo dono ainda não o assumiu, por não saber o motivo pelo qual o velho rei  sumiu. A coroa é bela, como bela é a rainha, que ficou sozinha e pode assumir o trono isto eu já sei, mas o povo exige que no seu País tenha sempre um rei. Que fale bonito, palavras, finas rebuscadas, sem entender sem compreender lhes dão o sentido que mais convier. Viu o que rei disse que coisa mais linda é vê-lo falar, fico a imaginar a falta de um rei para nos orgulhar; e plantam e colhem e entregam ao rei, que separa as migalhas depois do banquete, que depois de um discurso entrega aos vassalos, como aos cavalos alimentam os ginetes.  E aplaudido pela multidão que se curva a fome em busca de um pão. O rei não fugiu, o rei está morto, mas não está posto como é tradição, o trono está vago, o trigo em pendão, depois da colheita, como será feita a repartição? O império ruiu, mas a terra não continua fértil produzindo grão, o lago que fica ao redor do castelo, cada vez mais belo, a mata mais ver e cada vez mais alta, o povo chega em fim a uma conclusão, que nem rei e nem trono estão fazendo falta.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014



Quem me ama?
J. Norinaldo



Alguém escreveu  Eu te Amo na areia, depois vira as costas e se vai, a maré entendeu ser para si e espicha sua onda até ali para seu mimo receber. Como alguém que se arrasta, morrendo de sede no deserto, como uma mão busca a miragem, a onda vai chegando perto, afinal a onda e a maré, ambas são lida e mulher, como linda é a sereia, por isto eu prefiro dizer eu mesmo que Te Amo, que escrever timidamente com uma varinha na areia. Eu Te Amo deve ser escrito em bronze, porque no bronze é para sempre e o amor para sempre é bom demais, nem que para sempre seja muito tempo, quanto mais o tempo passa  te amo cada vez mais. Quem escreveu Eu te Amo na areia, não foi para enganar a maré, foi pensando em uma mulher ou vice versa tanto faz, quanto mais leio Eu te amo, eu te Amo muito mais. Também amo o mar e a maré, amo o sol e o luar, amo a montanha e a planície, amo o céu e as estrelas cadentes, como pingentes que do céu cai, amo demais a natureza, esta beleza obra prima do Deus Pai, que na sua eterna bondade nos concede a felicidade de dizer eu te amo assim a esmo, sem nos castigar por esquecermos, de dizer Eu te Amo a Ele mesmo. Quem sabe quem escreveu na areia e pediu para o Mar lhes transmitir em nome seu, eu só não posso garantir, porque apenas vi... Não fui eu quem escreveu.