Translate

terça-feira, 3 de agosto de 2010



Um Sonho de Poeta.
J. Norinaldo.

Anjos embalam meu sono
Como a valsa do vento,
Com as folhas secas do outono.
O cantos das andorinhas
Anunciando o verão,
E a neve linda do inverno...
Vestindo de noiva o chão.

Anjos arpejam Nabuco,
Cantam os escravos hebreus,
Valquírias cavalgam cavalos marinhos
Para o deleite de Deus.
E eu agradeço ao pai,
A primavera dos sonhos meus.

Baleias desfilam em cardumes,
Com botos azuis na platéia,
Entre os atóis de corais.
As estrelas iluminam a ribalta,
E na poltrona mais alta...
Eu vejo o maior dos Pais.

Que pena foi só um sonho,
É tão difícil acordar,
Ver um mundo tão diferente
Do qual nos permitem almejar.
Fecho os olhos novamente
Quem sabe volte a sonhar.

quinta-feira, 29 de julho de 2010


Mãe e mãe.
J. Norinaldo

Eu andei afastado de tudo, depressivo, uma verdadeira crise existencial. Não lia meu jornal, apenas o apanhava no pátio e o jogava em qualquer canto, também não assistia TV,não escrevia, na verdade não tinha vontade de nada. De repente me dei conta que estava me apagando, e resolvi voltar a ativa, li as colunas que me agradam e a noite resolvi assistir o Jornal Nacional. Acredito na Lei de Murphy sim, na Lei de Jagger nos estádios, veja só a notícia que vejo os apresentadores darem: Uma mulher francesa, confessa ter matado oito filhos recém nascidos. Pensei: Não tinha nada que voltar a ver noticia. E me veio à cabeça uma cadela que conheci há muito tempo. Era eu um jovem, que vivi na casa de um casal, cuidava do jardim, da faxina em geral. Nessa casa havia uma cadela que se chamava inglesa, tinha um pelo muito bonito e uma cor que parecia prateada. Desde muito pequeno sempre amei muito os animais, mas odiava essa cadela por uma razão muito simples. Ela dava cria e comia seus filhotes. Tempos depois, alguém me disse: ela faz isto não por ser má, mas por que sabe que sua cria não sobreviveria por isto, alivia o seu sofrimento. Passei a gostar da inglesa. Ainda falando em noticias, vejo logo a seguir, que um cãozinho vira lata caminhou 60 km para voltar ao seu antigo lar, tinha sido doado a outra família.
Não tenho filhos, tenho quatro cães da raça Poodle, que dormem na cama comigo, uma cadelinha que nasceu deficiente, já está com 12 anos e tem um tumor mamário maligno, sempre que me vê ela deita de barriga para cima para que eu lhe acaricie, o que para mim agora está sendo um castigo, pois fico vendo aquela coisa horrível que fatalmente matará minha cadelinha. Talvez por covardia, evito chegar perto dela, já fiz o que pude, agora é esperar a hora da dor maior.
Eu estou falando de uma cadelinha, e neste momento que aqui escrevo, meus olhos estão marejados, pois sei que ao me dirigir ao quarto, ela virá me oferecer a barriga para coçar. São exatamente 0254hs agora, tenho medo de dormir e sonhar que sou humano, que enquanto uma cadela adota uma leopardos, uma mulher mata seus oito filhos recém nascidos. Será que alguém vai me dizer: Ela não fez isto por ser má, é que sabendo o monstro que essas crianças teriam como mãe, teve a certeza que a morte seria muito melhor para elas.
Louca? Duvido, pois para fazê-los, deveria se deliciar. Quanto mais eu conheço o ser humano, mais admiro os cães, e coitados, são os melhores amigos dos homens. Que coisa lamentável que estou aqui falando de uma mãe, um ser a quem Deus deu a divina missão de trazer a vida ao mundo. Mas, não se compadeça de todos os velhinhos, por que os canalhas também envelhecem. Existem Mães e mães, algumas não valem as pulgas dos Cães.

Vergonha.
J. Norinaldo.

Musas desnudas de pernas cumpridas,
Antenas de carne que propagam o amor,
No rosto a máscara de uma aquarela
Que fazem da vida uma passarela,
Na busca da fama vendendo o pudor.

Como jóias raras de antigo valor
Libertas escravas de antigo senhor,
Que enchem o mundo de bijuteria.
Na insana escalada do despudor
Em nome do amor em noites de orgia.

Hoje já não se fala na moça perdida,
E a mulher da vida é coisa de outrora,
A vergonha ficou num passado distante,
E a inocência a própria vida deflora.
E a virgem de ontem, é a demente de agora.


segunda-feira, 26 de julho de 2010


Não Dá Mais.
J. Norinaldo.

Das sombras extintas do êxodo difuso,
De mundo confuso coberto de cruzes,
A terra consome a vaidade o orgulho,
De quen não descobre que entre gorgulho,
São encontradas fagulhas de ouro,
E do fogo que queima é que vêm as luzes.

A vida é um jogo onde as cartas são dadas,
Do mesmo baralho sobre um só pano verde,
Cabe a cada um arrumar o seu jogo,
Não se encantar com o Ás a Dama ou o valete;
As vezes o quatro, um Dois e um Sete...
Atiram as belas cartas no fogo.

O rei e a rainha também estão à mesa,
Príncipe, princesa ditador e tirano.
Quando a última ficha for recolhida,
Mais um cruz a enfeitar a esplanada.
Ninguem sabe quando será retirado o pano...
Ainda não foi difundido a ultima rodada.


Corruspatos
J. Norinaldo.

O nome parece estranho, o Corruspato é uma cruza de corrupto com carrapato, é um inseto altamente perigoso e nocivo à saúde, principalmente a saúde financeira de uma nação. Também não é novo, na Grécia antiga, Diógenes já andava pelas ruas com uma lamparina acesa em pleno dia a procura dos Corruspatos. Vivem em bandos e se alimentam principalmente da inocência e da boa fé, não tem aparência escabrosa como os carrapatos, mas depois que grudam é muito difícil livrar-se deles. Aliás, sua aparência geralmente é muito boa, boa conversa, fala mansa, muitas promessas. Surgem do nada, assim de repente, como aqueles besouros que em certa época do ano, saem debaixo da terra e infestam as ruas, as casas, horrível, não há sapos que dêem conta da demanda. E o pior, os Corruspatos não fedem, ou se fedem já nos acostumamos com seu fedor.
A época do acasalamento desconheço, sei apenas que o local escolhido para ninho, fica no Planalto Central, a Corruspatolandia, local onde se encontra maior incidência de Corruspato, talvez pela farta alimentação. Mas estão por toda parte, em grande ou pequeno número não existe nenhuma cidade que seja imune à praga.
Os Corruspatos adoram Pizzas, mas não chegaram aqui trazidos pelos imigrantes italianos, nada, muito antes. Proliferam-se de uma maneira que hoje é impossível combate-los com sucesso, até por que o laboratório que poderia fornecer o antídoto está tomado pelos Corruspatos. No mais o que podemos usar contra eles e que tem dado muitos bons resultados, são simpatias e remédios caseiros, como “Dizer Não aos Corruspatos” e “Votar Certo”. São receitas muito antigas, HI! Dos tempos em que se deixava um fio de bigode como caução.
Segundo tenho lido nos jornais, está na época da praga tomar conta novamente do país, sim por que não são todos Corrupatos que conseguem ficar grudados por muito tempo, mesmo por que há uma grande corrida aos locais prediletos de sugação, que como disse acima não é só o Planalto.
Este tipo de inseto, apesar de procurar com muito empenho e boa lábia um local para sugar, diferente de outras espécies nunca atinge seu objetivo sozinho, precisa de apoio, coligações, precisa sempre que muitas pessoas o ajudem, parece estranho, falar de algo tão nocivo e que são ajudados a nos fazer tanto mal. Eu explico: a verdade é que não é tarefa fácil conhecer o Corruspato antes que ele comece a se alimentar, e é ai que a Corruspatolandia aparece como uma das maiores fabricantes de pizzas do planeta.
Não! O Corruspato em nada se parece com o Demônio da Tasmânia, esse é conhecido pela ferocidade, até para devorar sua alimentação predileta, ossos. O Corruspato detesta ossos, gosta mesmo é de Champanhe e Caviar, legítimos é claro.
Ai me perguntam: Mas lá na Corruspatolandia só tem Corruspatos? Claro que não. Assim como na ICAR não existem só pedófilos, aliás, estes também formam outro tipo de praga difícil de combater.
Mas como reconhecer e se livrar de um Corruspato?
Como acima citado, não é tarefa fácil, alguns paises, se não se livraram totalmente da praga, a tem pelo menos sobre controle, o que nem de longe é o nosso caso. O remédio usado foi algo chamado “Educação”. Eu escrevi Educação, não somente aquela de respeitar os mais velhos, ou dar bom dia ao vizinho, mas sim conhecimento, além do mais os Corruspatos odeiam o conhecimento, justamente por isto. Fogem dele como o diabo da cruz.
Por que será que os políticos não dão um jeito de eliminar esta praga?
Agora você me deixou de saia justa amigo. De política eu não entendo patavina, mas vai haver eleições agora, e você vai ser bastante abordado, abraçado por eles. Aproveita e pergunta isto. É Um bom momento, talvez depois de eleitos você não os veja mais. Faz isto. Ok.

Ser ou Não Ser. Ter ou Não Ter.

Esta semana li com pesar em meu jornal o atropelamento e morte do filho da atriz Cissa Guimarães, já assisti algumas peças com a atriz, e esta nos passa uma lição de raça e de amor a vida. Lamento o desfecho trágico do caso, mas aproveito para aprender um pouco mais sobre o ser humano, quanto ao tratamento com seu semelhante. Dois ou três dias depois, assistindo ao Jornal Nacional, fiquei estupefato ao ver as noticias sobre o caso ali vinculado. O pai do rapaz atropelador, que havia ajeitado com policiais militares para que o carro e o seu filho, juntamente com o carona fossem levados para a Delegacia, procedimento politicamente correto, além de levar o veiculo na madrugada para uma oficina, e exigir rapidez no conserto; saiu de casa com uma certa quantia para pagar aos policiais corruptos, quando isto acontecia, sua esposa liga para o seu celular informando que o rapaz atropelado e morto era filho da conhecida atriz Global. O cidadão, sente-se mal, é socorrido, volta à oficina e suspende o conserto imediato do automóvel envolvido no sinistro. Pára tudo meu amigo, a coisa é bem mais séria que eu imaginava, afinal, não foi Rafael de Souza da Silva quem morreu, foi o filho da Cissa Guimarães, deixe o carro como está, que a polícia, ou parte daquela que não cobrou para liberá-lo, virá buscar o carro para ser periciado.
E ai, entra o ser ou não ser, ter e não ter. Por que teria mudado de opinião o pai do rapaz que antes faria tudo para proteger a cria de ser considerado matador de um sujeito qualquer? Não Filho, a coisa não é tão simples assim, você atropelou uma estrela, mesmo no momento não enxergando seu brilho, vai ter que responder por isto sim. Se teve culpa, pague. Seria isto um preconceito apenas, ou a certeza que se tratando de quem se trata, a polícia faria o impossível para encontrar o culpado, que teve nas mãos, mas como também não teve tempo de verificar o status do morto, negociou por dinheiro sua fuga? Que a mídia não daria trégua até alguém ser enjaulada, mesmo não sendo o culpado.
Quando será que teremos um tratamento igualitário para todo ser humano? Filho da Cissa ou do Ciço, de São Conrado ou Gramacho? Ou será que ser atropelado por uma BMW, dói menos que por uma Brasília amarela?
Quantos homicídios terão acontecido no mesmo dia, e quantos foram esclarecidos tão rápido?
Ser ou Não Ser. Eis a Questão. Ter ou não Ter, Ter e não Ser, a verdade é que no final para ninguém existe exceção, o chão vai ser sempre o mesmo, e os germes sem pedigree. Será?

segunda-feira, 19 de julho de 2010


Duvidar.
J. Norinaldo

Duvidar de Deus não me torna um sábio,
Nenhum alfarrábio me trouxe a verdade,
Que o amor existe todo mundo sabe,
E que a ninguém cabe a infelicidade;
Mas está escrito no livro da vida...
Que quem planta vento colhe tempestade.

Quem cava um poço em busca de água,
Quando mais se tira mais fundo ele fica,
E quanto mais fundo, mais água se tem.
E assim acontece com o amor também,
Quanto mais se dá mais ele frutifica,
E o poço do amor muita água tem.

Já me perguntaram se eu sou feliz,
O que respondi já não sei dizer,
Pois eu nunca vi a felicidade;
Se por onde passa deixa algum rastro,
Mas há um ditado talvez a verdade...
Um ser infeliz é uma nau sem mastro.

Quem na vida vive sempre a deriva,
Do amor se priva por pura opção,
No fim do caminho quando olhar pra trás,
Querendo voltar já não pode mais;
O vento lhe empurra noutra direção.
Não terá ninguém para despedida...
Nem suas pegadas ficarão no chão.