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quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Fogo Frio.
J. Norinaldo.


Por periféricos e sombrios becos,
Úmidos leitos de tísicos terminais,
Pisando sobre escarros escarlates,
O zumbido das moscas infernais,
Como um fétido véu de sangues secos,
Sobre vísceras penduradas em varais.

Vejo feras mastigando corações,
Que ainda batem em peitos dilacerados,
Sinto o ódio no olhar dos meus carrascos,
Vou sereno em direção ao cadafalso;
Invejo as moscas no seu banquete de pus...
Olho os meus pés e orgulhoso vejo cascos.

Ah! Bukowski por que fostes morrer?
Quem te deu o direto de fugir?
Desenhavas tão bem o que é sofrer,
E ser feliz simplesmente por saber,
Aceitar esses becos como abrigo,
Que ser feliz é só questão de querer.

Ah! Como é nobre essa minha depressão,
Que me mostra quão pequeno ainda sou,
Como a mosca que voa num corredor vazio,
A donzela dorme sobre um colchão macio,
A espera do seu tísico, seu senhor,
Depressiva assim como um fogo frio.

domingo, 14 de novembro de 2010

Pedras para Construir, não Destruir.
J. Norinaldo.

Apedrejar a Maria por cometer adultério,
É só mais um despautério cometido pelo homem,
Adultero confesso em nome da vaidade,
E se fossem lapidados por um crime tão comum,
Faltariam pedras ao mundo para lapidar cada um,
Aqueles que julgam em nome do dever e da verdade.

Atire a primeira pedra aquele que não cobiçou,
A bela mulher do próximo e que nem sequer pensou,
Em levá-la para a cama num belo sonho de amor.
Quem sou eu para julgar os pecados de alguém,
Que não cumpriu os mandamentos que eu não cumpro também,
Que atire a primeira pedra aquele que nunca pecou.

Adúlteras mal amadas, mas com o dever a cumprir,
Como objetos de luxo alcovas enfeitam em vão,
Mercadoria vendida no mercado do cinismo,
Que apedrejem o mutismo sufocado em assembléias,
De onde surgem as idéias que apedrejam a razão,
Diga não a panacéia dos tribunais do machismo.

Não vamos atirar flores em adulteras confessas,
E sim cumprir as promessas feitas diante do altar,
Amor não só na beleza, mas na dor e na tristeza,
Até que a morte nos separe de verdade,
Que as pedras sejam atiradas nas serpentes...
Que atentam contra o amor e a lealdade.


sábado, 13 de novembro de 2010

O Tempo.
J. Norinaldo.

O tempo é o tempo que o vento não tange
Que vem de tão longe de um tempo qualquer
Não usa coroas e nem vive em palácios
Mas nos faz de palhaços desdenha da fé
Podemos até nos ampará do vento
Mas só pelo tempo que o tempo quiser.

O tempo é tão velho não sei se tão sábio,
Nenhum alfarrábio escreveu nesse tempo,
Rabisca direto no rosto da gente,
Letra diferente que ninguém decifra.
Se o barco a deriva precisa do vento...
Qualquer ser que viva deriva com o tempo.

Há tempo pra tudo, mas não temos tempo,
De buscar um jeito do tempo escapar,
Quanto mais tentamos mais tempo perdemos,
E o tempo não pára para nos ensinar,
Como o eco do grito que o vento devolve,
O tempo resolve que é tempo de parar.

Lembram do tempo em que tudo era assim?
Em que a família era o maior tesouro,
Não havia ouro que comprasse esse bem,
O tempo é o mesmo em nada mudou,
O ouro hoje compra tudo que se tem...
Em algum museu talvez haja, um baú de amor.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010


Escada de espinhos.
J. Norinaldo.


No vago das horas que preencho,
Com o vazio escuro do meu interior,
O doce perfume que a vida anestesia,
Na poesia tento amenizar a dor;
Como se o espinho no talo da roseira,
Fosse a escada para se alcançar a flor.

Palhaço sem circo ou picadeiro,
Cuja máscara a vida bem pintou,
No sorriso o simbolismo de um dilema,
Como a escada de espinho sem a flor.
Como uma estrofe de um triste poema...
Que a vida escreveu, mas não cantou.

Dói-me na alma as gargalhadas,
Para essas não existe anestesia,
Quando sou na verdade a palhaçada,
A própria dor me vestindo a fantasia,
Os espinhos da escada me ferindo...
Na existência de uma triste poesia.

Só me resta o direito a sonhar,
Pena que os sonhos chegam ao fim,
Sonho sempre com um rosto sem pintura,
E esqueço os sorrisos de amargura,
E a escada me leva a mais bela rosa...
Que transformo na mais linda criatura.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010


IMAGINE.

J. NORINALDO.

Imagine um mundo onde sempre é carnaval,

E John Lennon com seu bloco na avenida,

Onde a maldade seja apenas fantasia,

E o amor o combustível da vida,

Imagine todo planeta se abraçando,

Cantando junto um enredo de amor,

Numa guerra de confete e serpentina,

E em cada esquina um jardim cheio de flor.

Imagine um mundo sem preconceito,

Quase perfeito governado pelo amor,

Como uma fonte que jorra felicidade,

E os gemidos de prazer e não de dor.

Imagine os seus dragões de criança,

Brincando livres a correr com querubins,

Super Heróis sem o mal pra perseguir,

Plantando rosas e cravos em seus jardins.

Imagine, só imagine e me responda,

Se seria perfeito o mundo em fim,

E por que alguém assassinou...

Quem primeiro cantou um mundo assim?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Respostas e Perguntas.
J. Norinaldo

Respostas eu tenho tantas, tantas.
Até para as perguntas que não fiz,
Dúvidas, ainda as tenho, e quantas,
Coube a vida a missão de escolher,
Se devo perguntar ou responder...
Será que algum dia fui feliz.

Dúvidas, perguntas e respostas,
Todas postas em um prato da balança,
No outro, sonhos, perdas e encontros,
Desencontros, sofrimento e esperança,
A alma ensina, mas a vida não entende...
Aquele prato para onde o fiel pende.

Os caminhos são tantos a escolher,
Percorrer o escolhido cabe a mim,
Sem esquecer a resposta que procuro,
Se felicidade está naquilo que não fiz,
Terei vivido num labirinto sem luz,
Se descobrir que fui feliz só lá no fim.

Onde? Em que parte do caminho?
Se sozinho caminhei a vida inteira,
Deixando apenas as pegadas na poeira,
Assim como a água ao azeite não se junta,
Toda pergunta teria sua resposta...
Se fosse posta na balança verdadeira.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010


Tortura Nunca Mais.
J. Norinaldo.

Um nome escrito nas paredes do inferno,
Da tortura, do degredo e da humilhação,
Ressurge agora para ser bordado a ouro,
Pra comandar o Brasil e o seu tesouro,
Para constar nos destinos da nação.

E quem levou este nome pra caverna,
Quem usou a tortura por vingança,
Quem escreveu na parede aquele nome,
Tinha fome de justiça e liberdade...
Hoje é para o Brasil a esperança.

Uma estrela que tentou ser apagada,
Ofuscada por estrelas de metal,
Hoje volta a brilhar no nosso céu,
A liberdade tão sonhada e sem véu,
Ostentando a faixa presidencial.

Não foi em vão tua luta, teu sofrer,
A parede está lá pra quem quer ver,
Nem por isto deverá ser esquecida,
Pois quem esquece o passado está fadado...
A conhecer a história repetida.