
Ingratidão.
J. Norinaldo.
Cansado de caminhar por veredas,
Estreitas, escuras e solitárias,
As mesmas árvores, o mesmo chão,
O mesmo frio a umidade de um porão.
Pedi em minhas preces ao Criador,
Uma estrada larga, com muita luz e calor.
Agora me encontro perdido no deserto,
Nenhuma árvore, um pássaro uma flor.
O sol abrasante que queima até a alma,
Pergunto: Deus, que estou fazendo aqui?
Como Adão, reneguei o paraíso...
Estou sofrendo, por que não soube pedir.
Meu castigo, as miragens a minha frente,
Água corrente cristalina e muita sombra,
Um lindo bosque onde a vida é pungente,
Tão igual aquele em que caminhava com frescor.
Agora sinto que meu caminho é tão quente,
E que caminho? se não sei pra onde vou.
Cada um de nós tem uma cruz a carregar,
A minha é sempre mais pesada que a sua,
O meu poema sempre tem mais conteúdo
A minha estrela brilha mais do que a lua;
Sou um sábio que da verdade sabe tudo,
Na realidade... Sou uma farsa nua e crua