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domingo, 9 de dezembro de 2012




Quando Escrevo.
J. Norinaldo.


Quando  escrevo sinto o cheiro das palavras e a fumaça do trem me faz tossir,  as lágrimas começam a cair manchando o poema que ora escrevo. Quando penso nos beijos que não te dei, sinto o gosto do batom que não usavas, quando escrevo tento que as palavras mintam, como se dissestes que me amavas. Quando escrevo transformo o dia em noite, só para ver em teus olhos a luz da lua, fechos os olhos e sinto-te em meus braços nua. Quando escrevo e descrevo com paixão, meu coração a disparar naquele banco, minha vida é como uma folha de papel em branco, até o trem encostar na estação. Oferece-te este poema manchado, pelas lágrimas desse louco apaixonado que ainda vai toda tarde à estação, mesmo que o trem seja só recordação, e este amor uma loucura do passado.



Os Meus Silêncios.
J. Norinaldo.


Às vezes meus silêncios ao fugir dos meus fantasmas, se refugiam nos mais recônditos vazios,  se encobrem com os ecos dos gemidos, repetidos pelos mais loucos calafrios. Se a voz da alma gritasse tudo que sente, daqui pra frente meus fantasmas inexistiam, e os meus silêncios não mais se esconderiam. Muitas vezes o meu grito não tem eco, se vai com o vento e a montanha não o detém, em outras vezes confunde-se com o próprio grito, sem saber quem é que vai ou quem é que  vem. Já nem sei se amo mais meus silêncios, ou os meus gritos que o peito já não consegue represar; se os meus fantasmas já me fazem tanta falta, e esta falta é que me leva a gritar. Ainda bem que meus fantasmas não gritam, e o meu silencio não consegue me assustar.

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012




Sonhar e Viver.
J. Norinaldo


Dizem que quem para de sonhar, neste momento começa-se a morrer e eu pergunto: será? Se o meu sonho sempre foi nunca sonhar, sabe por quê? Só sonho com quem jamais vou ter. Se continuar sonhando for castigo, cá comigo eu consigo entender, por que a loucura é tão bonita, pois em quase nada acredita e quem é louco não tem medo de morrer. Não, eu não quero mais sonhar, a não ser com uma condição, que no sonho me arranquem o coração e não me deixem mais nunca acordar. Imagino com quem eu sonho comigo sonhar, só de pensar eu prefiro não sabê-lo, ouvi-la contando para alguém, como um terrível pesadelo. Se morrer é realmente parar de sonhar, eu já morri  faz muito tempo mas a vida de má,  teima em me acordar.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012




Partir.
J. Norinaldo.


Vou partir enquanto há tempo, enquanto há vento para impulsionar a vela e a procela está além do horizonte, e a água da fonte ainda é pura. Vou seguir o traçado do destino, esse menino brincalhão que não tem modos, que diz a todos o caminho a ser seguido, sem dar ouvido nem ao tempo ou ao vento. Vou partir  antes que a sombra da montanha, que  acompanha a marca que faz o tempo, antes que o vento que impulsiona a vela traga o eco da procela bem aquém do horizonte. Vou partir, pois a noite já vai longe, já ouço o cantar do monge no convento a despertar. Vou partir, pois o caminho é cumprido e o destino é bandido com quem teme este partir; vou sentir falta da sombra do monte, da água pura da fonte e até do canto do monge, quando bem longe sob uma sombra da senda pintarei em uma tela, tudo em uma procela que só o destino entenda.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012






Quem Sabe...
J. Norinaldo.


Quem sabe no futuro te agradeça, por teres recusado meu amor, mostrando-me que mereço muito mais, que um rosto lindo e um corpo sedutor; que carece de encanto e de magia e do mínimo de sensibilidade, para saber que a total felicidade não passa de uma simples fantasia. Quem sabe no futuro eu te venere, por mostrar-me sem querer o paraíso, quando dissestes não ao meu amor, na mesquinhez do teu sorriso. Não sei se o futuro é longe ou perto, mas o aceiro do deserto é verdejante, quem sabe no futuro tão incerto, eu esteja no caminho certo, e tu estejas pelo deserto errante. Quem sabe o meu agradecimento, seja o farol que te indique o caminho, que te tire de vez do labirinto, e venhas a sentir o que ora sinto, por teres me tornado tão sozinho. Quem sabe no futuro por ti me compadeça, por estares sentindo o que o meu coração sentiu, embora sabendo que mereça, a recompensa que te deu a vida, agora te sentes excluída, mas lembras, não fui eu quem te excluiu. Quem sabe...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012




Um Grito de Liberdade.

J. Norinaldo.


O grito de liberdade que alforria a razão rompe montanhas e escudo atravessa a escuridão, como um deus com seu tridente arrebentando a corrente da caverna de Platão. O grito de liberdade com seu archote potente no pódio da importância, que das grotas da ignorância resgata a luz eterna como um grito  de alforria, trocando a fogo da caverna pela luz da sabedoria. A nação sem este grito tem uma falsa bandeira, seu hino só fala em guerra, jamais em felicidade, impera a desigualdade, pois não há outra maneira de se pintar uma bandeira sem o grito de liberdade. Liberdade é algo inteiro não se grita por fração, me entristece ouvir os gritos por liberdade de expressão, liberdade disto ou daquilo, acordemos minha gente; onde não há igualdade, gritar por liberdade é baderna , ou retornar novamente  as correntes da caverna.


domingo, 2 de dezembro de 2012




Ápice.
J. Norinaldo.


Se tenho a toga que outorga o veredito, e não necessito de provas para a sentença, sei que há diferença entre o aceiro e o caminho. Se não me deixas viajar por tuas curvas, numa caricia, sem sequer um longo beijo, se me apontas logo a fonte do desejo, por que me culpas pela falta de prazer.  Por que não me levas devagar pelo caminho, mostrando os montes e os vales e cascatas, não me deixa deslizar por teus suores, saciar a sede com teus licores, até chegar ao teu bosque encantado. E ai sim me deliciar com teus tremores, ver nos teus olhos o branco da nuvem bela, nos estertores dos teus gritos sem sentidos, como as tintas misturadas na aquarela, sentindo a vida entrar em ebulição e das entranhas do amor a lava desce e cresce grande a labareda do vulcão. A toga servirá como alcova e a sentença o próprio fogo consome, para quem conhece  o ato que descrevi, e escrevi  o seu verdadeiro nome.