O Rito da Cruz.
J. Norinaldo.
J. Norinaldo.
Sobre a água não ficam pegadas,
Palavras faladas o vento carrega,
Escritos antigos de seres humanos,
Que fazem gritar exércitos de insanos,
Mantendo de pé o rito da cruz.
Sermões se perderam além da montanha,
Como flechas de gelo atiradas a esmo,
Como o canto do corvo diante da morte;
E o vinho servido na mesa do nobre,
Embriaga o pobre na roda da sorte.
Os punhos cerrados gritando em louvor,
Palavras de ordem que alguém ensinou,
Pela roda cunhada com a face do rei,
No alto da nave a palavra é vendida,
Como mercadoria de muito valor.
Se foi o sermão, mas ficou a montanha,
Como se vão os dedos e ficam os anéis,
Ruínas que mostram que tudo é finito,
E que a cruz foi nosso erro maior...
Quem O crucificou não ouviu nenhum grito.
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