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sexta-feira, 10 de junho de 2011


As Pedras da Montanha.

J. Norinaldo.


Rolam pedras da montanha estremecida,

Sem guarida a terra treme de pavor,

Enquanto o homem busca nas suas entranhas,

As riquezas mais estranhas num completo despudor;

Desnudando a mãe que lhe deu tudo,

Sobretudo em se plantando tudo dá.


No lugar da floresta do começo,

Hoje o berço da imensidão de areia,

E a água antes clara que corria cristalina,

Hoje é como se fosse uma injeção letal;

No esgoto que se oferece a maré cheia,

No oceano mais um paciente terminal.


Antigas feras que o homem tanto temia,

Hoje vê no dia a adia a comer lixo a sua porta,

Sem florestas para viver não restam alternativas,

O mar invadindo a terra em busca de uma saída;

E o homem segue dando explicações evasivas,

Só que quando abrirmos os olhos a terra estará morta.


Rolam pedras Rockn Roll, o horror já não se esconde,

E as pedras se derretem formando rio de fogo,

E o homem segue dançando ao barulho dos metais;

Até que as fichas terminem fechando as portas do jogo,

E o veneno plantado cresça em nossos quintais...

E restem apenas sombras de fantasmas nos varais.

terça-feira, 7 de junho de 2011


A Palavra e a Flecha.

J. Norinaldo.

A flecha atirada e a palavra dita, não voltam jamais nem que o homem queira, por isto é preciso ao esticar o arco, antes de soltar as amarras do barco, antes de abrir a boca e dizer: dessa água não bebo desse mal não padeço, ter certeza do rumo da flecha e do barco; saber que a água do charco não nasceu imunda. Maçãs de ouro em salva de prata se comparam a palavra dita no momento certo. A flecha sem alvo e o barco a deriva, é a palavra dita da boca pra fora, como um poema que se escreve na areia, sem eco a ser pelo vento levado, como se o poeta estivesse perdido num túnel, trazendo na mão um archote apagado.

Dizer eu te amo é tão simples e doce, para quem ouve de alguém a quem quer, como um salmo, um poema uma prece, e para quem diz que desse mal não padece, é o alvo da flecha ou da água do charco, simplesmente a procela que naufraga o barco.

Por que um anjo armado de flecha simboliza o amor, se a seta traz dor, mata ou aleija? Quem ama não fere não mata ou maltrata, por que sempre ouve: eu te amo da boca que beija. Por isto acredito não fazer sentido, o arco esticado nas mãos do Cupido.

segunda-feira, 6 de junho de 2011


O Lago e o Gelo.

J. Norinaldo.

O lago reflete o gelo do monte, a água não molha a sombra da ponte, e as flores da tela não murcham com o tempo. O gelo derrete e se junta ao lago, à sombra da ponte com o escuro se vai, na tela as flores continuam belas, porém não dão frutos que pelo chão cai. O lago é o espelho da natureza, enquanto o espelho do homem que mede a beleza, a ponte que sua sombra é inútil, os jardins das telas não morrem e não crescem.

O cisne no lago nada junto ao ganso, a água da ponte se junta ao riacho, as flores das telas tem cheiro de tinta, que o homem pinta geralmente as mais belas. O corvo não honra a carniça do rei, a beleza que reflete o espelho do lago é bem diferente que aquela que é vista no espelho do homem.

O sol não distingue o lago ou o homem, até a sombra inútil da ponte dele depende, divide o calor com as flores que murcham, com ganso ou cisne e o homem não aprende, que o gelo e o lago não foi ele que fez, fez a ponte, mas não fez sua sombra, inútil é aquele que a nada se prende.

Falar de amor planejando uma guerra, dividir a terra em poções desiguais, quanto mais espelhos o homem emoldura, o lago e o gelo vão ficando para trás.

sábado, 4 de junho de 2011

Meu Sonho.

J. Norinaldo.

Um lugar de estradas de chão, odaliscas sem véus onde crianças ainda brincam de crianças. Um lugar onde se anda a pé de guarda chuva em punho; um lugar onde os mais velhos conversam sossegados no oitão, enquanto as crianças brincam como crianças sem ouvir o que dizem os mais velhos sossegados no oitão. Um lugar onde o terreiro reserva um lugar ao jardim, e o carteiro ainda traz uma carta a alguém. Um lugar onde moças já feitas, jogam peteca no meio da rua, e a noite brincam de roda sob a luz da lua, cantando cações inocentes que não falam nas partes de outra moça nua. Um lugar onde os namorados passeiam tranqüilos, mãos dadas na praça em volta do coreto. Um lugar em que a poluição é poeira do chão que levanta com o vento. Um lugar em que seus habitantes desejam bom dia a todos que encontram. Um lugar onde uma donzela, por mais que seja bela, pode andar tranqüila. Um lugar onde alguém acha uma corrente de ouro e procura seu dono. Alguém vai dizer, não existe um lugar assim, mas existe sim, se existem os dragões dos sonhos das crianças, este lugar existe aqui dentro de mim. Não durmo uma noite sem com ele sonhar.

Na noite passada em meu sonho encontrei uma jovem tão bela, era branca e negra e havia nela, algo difícil de descrever, esquecer impossível pois não há outro igual, seu olhar. Perguntei-lhe o caminho que devia seguir para chegar ao destino, ela mostrou-me ama estrada

Florida que girava e girava e chegava outra vez aonde ela estava. Que sonho mais lindo, então meu lugar é ali, por que acordei e me encontro aqui? Entre torres de aço, onde não há abraço ou sequer um bom dia, as ruínas são novas e abrigam seus donos por castas e brasões, onde os dragões pisoteiam sem dó e os jardins viram pó que levam a outros sonhos, medonhos, sem volta, sem vida, sem moças sem véus, crianças perdidas, feridas de morte; e a sombra do oitão se foi para sempre, somente existe no meu lindo sonho.

Crianças brincando degolam crianças com vidro e cerol e até seus dragões fogem dos seus sonhos e se escondem no meu. Bem: contei o meu sonho, por que não conta o seu?

quinta-feira, 2 de junho de 2011


Nova York, Nova York.

J. Norinaldo.

Desde muito pequenino sonho com tua beleza,

A capital da grandeza a maçã que encanta o mundo,

Um dia hei de beijar teu solo contrito e sereno,

E o meu sonho de pequeno lúcido tornar-se profundo;

Brincar de louco nas pontes gritando sem vaidade...

Poder encarar de frente a estátua da liberdade.


Não consigo entender como alguém pode ferir,

Atentar contra a beleza que o homem ousou criar,

Deviam lamber-te o chão os loucos que sem motivos,

Tentam tirar dos seres vivos o prazer de admirar,

Tua beleza intocada, como a mais pura rainha,

Ainda bem que Deus me deu o direito de sonhar.


Nova York, Nova York, maçã do pomar de Deus,

A tua beleza é tanta que duvido de outra igual,

Talvez se encontre resposta num poema de Gibran;

Talvez por isto atraias a inveja dos dementes,

Semeadores da ira pelos desertos do mal,

Que num canteiro do umbral buscam as suas sementes.


Tu és ó linda cidade com a fênix lendária,

Como uma prece Sioux que ecoa pelo vale,

Que renasce mais bela a cada golpe pungente;

Para tornar realidade o sonho de uma criança,

Que não perde a esperança que um dia de repente...

Possa acordar para sempre neste sonho fascinante.


quarta-feira, 1 de junho de 2011


A maior relíquia cristã

Especialistas acreditam que conjunto de 70 livros encontrados em uma caverna da Jordânia podem conter relatos dos últimos anos da vida de Cristo

por Graziella Beting

Um achado arqueológico está gerando polêmica entre especialistas em história religiosa. A localização de 70 livros feitos de placas de chumbo em uma caverna na Jordânia foi anunciada como “a maior descoberta da história cristã”. Os códices, do século I, trariam relatos dos últimos anos da vida de Jesus Cristo. Muitos pesquisadores estão céticos.

E Agora José

J. Norinaldo.

E agora José? Comprovada a autenticidade de tais códices, e se realmente trouxerem algumas verdades que não puderam ser manipuladas por conveniência de alguém ou de grupos, o que mudará para o Cristianismo e para o mundo?

Muitos pesquisadores estão céticos, e não poderia ser diferente, alguns devem estar apavorados, pois dependendo do conteúdo dos livros de chumbo, colocará uma pesada camada de chumbo nas suas teorias e histórias. Imagine um historiador respeitado até hoje por reis, rainhas e leigos, ter suas balelas a respeito de Cristo jogadas na lama. Como o achado arqueológico já tem cinco anos e só agora eu, e não sei se só eu tomo conhecimento, já demonstra uma certa estranheza, se assim for, será que já não se sabe que quem tem ganhado fama e dinheiro contando a história de Cristo não será afetado por tal descoberta?

Em 1947, um outro grande achado, encontrado por acaso por um humilde pastor, Os Pergaminhos do Mar Morto, prometiam muito na verdade não elucidaram muito, pelo menos pelo que foi divulgado.

Por que será que temos essa ânsia louca em saber se a história de Jesus, que afinal segundo os pesquisadores, é idêntica a de Osíris, e que tanto bem tem trazido a grande parte da humanidade, seja mudada, ou que seja mentira? Se realmente aparecer como verdadeira a história que Jesus foi casado com Maria Madalena e com ela teve filhos, como ficarão aqueles que a difamaram tachando-a de prostituta?

Acredito que o problema maior estará nos livros sagrados, aqueles que têm enricado muita gente que prometem o céu a quem lhes dá até o último centavo. Mas, até isto não será um grande problema, pois quem tem capacidade para tirar o pão de um pobre em nome de deus, poderá muito bem explicar que tudo que se encontrou nos livros de chumbo, é o mesmo do livro quem vem vendendo o nome de Deus, apenas interpretações diferentes. Ou que se os livros realmente fossem importantes seriam de ouro e não de chumbo. Vamos aguardar, e guardar um pouco de cautela para as interpretações. Isto e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.


O Enduro da Vida.

J. Norinaldo.

No enduro da vida o melhor corredor,

É aquele que corre sabendo pra onde,

Que deixa pegadas a serem seguidas;

E não atropela os que ficam pra trás,

Não colhe mais frutos do que pode comer,

Só o suficiente pra que possa correr.


No enduro da vida quem chega primeiro,

Descobre que o pódio é um fim do caminho,

Se correu simplesmente pensando em vencer,

Devagar viria se pudesse saber,

Que a recompensa ficou para trás;

E voltar pra buscá-la já não pode mais.


No enduro da vida existem vários caminhos,

Alguns são floridos, outros só de espinhos,

Atalhos são muitos e se pode escolher,

E quem se perder nunca estará sozinho,

O destino é o mesmo para qualquer caminho...

Participar do enduro é viver, o final é morrer.


No enduro da vida todos tem seu troféu,

O percurso difere de caminho e distancia,

Alguns chegam ao fim claudicando cansados;

Outros apressados ou por ignorância,

Que em plena infância já correm chapados...

Na corrida precoce, são pela morte amparados.